Em mais uma demonstração de desafio às pressões econômicas globais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a abalar os mercados nesta segunda-feira (7). Em declarações feitas a bordo do Air Force One, Trump minimizou a turbulência financeira provocada por sua nova ofensiva tarifária e afirmou: “Esqueçam os mercados por um segundo”, reforçando que não fará concessões até que os países eliminem seus déficits comerciais com os EUA.
A fala, somada à entrada em vigor de tarifas adicionais de até 50% sobre produtos de mais de 60 países, provocou um efeito dominó de aversão ao risco em todo o planeta. Na Ásia, a Bolsa de Hong Kong teve o pior desempenho em 28 anos, despencando 13,22%, enquanto o índice Shanghai Composite caiu mais de 8%. O Japão viu o Nikkei derreter quase 8%. Na Europa, a manhã começou em forte queda: o Dax, da Alemanha, recuou 10% e o FTSE 100, de Londres, perdeu 6%.
Nos Estados Unidos, os índices futuros indicam nova tempestade em Wall Street: o Dow Jones caía 3,17%, o S&P 500 recuava 3,30% e a Nasdaq perdia 3,65% nas primeiras horas do dia. Desde o anúncio das tarifas, o S&P 500 já perdeu mais de 10,5%, o equivalente a cerca de US$ 5 trilhões em valor de mercado.
Apesar da forte pressão, o governo Trump mantém o discurso duro. “As tarifas vão continuar, independentemente do que os mercados fizerem”, declarou o secretário de Comércio, Howard Lutnick. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também negou risco de recessão, mesmo diante da escalada da crise.
O impacto também atinge commodities e criptomoedas: o petróleo Brent recuava mais de 3%, o cobre afundava 6% e o Bitcoin chegou a cair 10%. No Brasil, o ETF EWZ, que reflete ações brasileiras em Nova York, desabava mais de 4%.
Mercados em liquidação: o mundo inteiro sente o impacto
O medo de uma recessão global ficou evidente pela liquidação generalizada nos mercados asiáticos, europeus e americanos. Em Hong Kong, o Hang Seng registrou a maior queda desde a crise asiática de 1997. Na Alemanha, grandes bancos como Commerzbank e Deutsche Bank afundaram cerca de 10%. No Reino Unido, o Barclays perdeu 8% e o NatWest, 7%.
Até setores antes considerados “refúgios”, como Defesa, foram atingidos. A alemã Rheinmetall, fabricante de tanques, viu suas ações despencarem 24%.
Commodities também sangram
Enquanto as bolsas despencam, o mercado de commodities reflete o temor de desaceleração econômica. O petróleo, fundamental para o setor energético, e o cobre, essencial para a indústria, registram quedas expressivas. A retração reforça o cenário de alerta global para uma possível recessão alimentada pela guerra comercial.
Aliados também sofrem com o tarifaço
Embora a China esteja no centro da guerra comercial, aliados tradicionais dos EUA, como Japão, Coreia do Sul e Austrália, também amargam pesadas perdas. Montadoras japonesas como Toyota, Honda e Nissan sofreram quedas acentuadas, após a imposição de tarifas de 25% sobre veículos importados.
O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, apelou por isenções, lembrando que o Japão é o maior investidor direto nos EUA, mas, até o momento, não houve avanços nas negociações com Washington.
“Remédio amargo”
Para Trump, o impacto financeiro é apenas um “remédio necessário”. “Não quero que nada despenque, mas às vezes é preciso tomar remédio para consertar alguma coisa”, declarou, insistindo que a economia americana está “mais forte do que nunca”, apesar do pânico nas bolsas.
O mundo, no entanto, parece discordar — e o preço a pagar pela “revolução econômica” prometida pelo presidente norte-americano começa a se mostrar mais alto do que muitos estavam dispostos a aceitar.





