Após um novo massacre nos presídios de Manaus, a população se pergunta o que motivou outra matança entre os detentos ocorrida entre domingo (26), e segunda-feira (27). O Portal Marcos Santos discriminou em tópicos toda a operação do crime organizado no Amazonas que levou ao segunda maior chacina registrado no Estado.

O estopim foi o racha entre José Roberto Fernandes (Zé Roberto da Compensa), e João Pinto Carioca (João Branco).

Estrategista X operacional

Zé Roberto fundou e dividia a estratégia, o planejamento das ações da Família do Norte (FDN) com o compadre, Gelson Carnaúba. João Branco sempre foi o operacional, encarregado das ações de rua, principalmente assassinatos.

FDN X CV X FDN Pura

Carnaúba percebeu enfraquecimento do comando de Zé Roberto, recolhido a presídio federal, como ele próprio e João Branco. Aproximou-se de Fernadinho Beira-Mar, do Comando Vermelho (CV), do qual a FDN era fornecedora de drogas. Fundou o CV do Amazonas, a partir da própria FDN, no primeiro e sangrento racha do grupo. João só teria “rachado” com o líder por pressão da esposa, Sheila Maria Faustino Peres. Ela é apontada como “correio” do marido nas cadeias, após as visitas íntimas que realiza. E transmitia a inquietação das ruas com a perda de poder. João teria ordenado o massacre dos líderes mais fiéis a Zé Roberto. Zé Roberto descobriu e agiu primeiro.

FDN X CV X FDN Pura (2)

Quando saiu, Carnaúba criou o CV do Amazonas. João convenceu, àquela altura, o “parceiro” Zé Roberto a opor uma FDN Pura. Agora é esse o nome que adota para a dissensão que pretende formar.

Leva-e-traz

Os 15 primeiros mortos, ainda no domingo (26/05), eram considerados “leva-e-traz”. Eles transitavam entre os dois grupos, tentando ganhar prestígio, revelando planos de uns para os outros.

Dipen avisou

O Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen) apresentou um relatório, dia 22/05, avisando da tensão interna da FDN. Lembrou que, em 2017, providências foram tomadas, mas o massacre surpreendeu por ocorrer entre internos que pareciam ter relações cordiais.

Raios e celas

O massacre de 2017 ocorreu no confronto entre raios, isto é, conjuntos de celas isolados. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), após as mortes do Réveillon, isolou Primeiro Comando da Capital (PCC) e FDN. Foram eles que se confrontaram no dia das 56 mortes. A surpresa desta vez é que o confronto se deu dentro de celas, entre internos que, praticamente, escolheram ficar juntos.

 Próximos rounds

Zé Roberto, João Branco e Gelson Carnaúba vão continuar disputando poder no mundo do crime. A comunicação deles com os comparsas continuará fluindo. Eles têm direito constitucional às visitas e há visitantes que são pombos correios. Muito sangue ainda vai rolar nesse conflito.

Pistoleiro entrega tudo

Em meio à confusão, um vídeo é compartilhado entre os grupos de WhatsApp, onde um homem identificado como ‘Magnata’, conhecido como o chefe dos pistoleiros, aparece encurralado e, na tentativa de salvar a própria vida, detalha todo o esquema do grupo, citando Sheila, a mulher de João Branco, como a mandante dos assassinatos.

 

 

Fonte: Portal Marcos Santos