Manaus | 3 de junho de 2026 | 02:37:39

Em apelo a Lula e Janja, Gretchen critica falhas nas leis contra feminicídio e pede “providência drástica”

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SÃO PAULO – A cantora e influenciadora Gretchen utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (26) para cobrar um posicionamento mais incisivo do Governo Federal diante do aumento nos casos de feminicídio no Brasil. Em um apelo direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à primeira-dama, Janja da Silva, a artista criticou a atual legislação e afirmou que as medidas de proteção vigentes não têm sido suficientes para conter a violência doméstica.

“Agora os feminicídios são diários e constantes. Não existe lei que faça com que esses homens parem. Eles recebem medida protetiva e simplesmente vão lá e matam”, desabafou Gretchen. O depoimento toca em um ponto crítico da segurança pública: o descumprimento das ordens judiciais de afastamento, que muitas vezes terminam em tragédia antes que o Estado possa intervir.

Diálogo com a Primeira-Dama

A artista direcionou parte de sua fala especificamente a Janja, ressaltando a expectativa de que ela, como mulher e figura influente no Planalto, compreenda a gravidade do cenário. “Nosso presidente, Janja, que é mulher e sabe que este problema está ficando sem solução”, afirmou Gretchen, reforçando o coro por políticas públicas que saiam do campo simbólico e cheguem à fiscalização efetiva.

O debate sobre o rigor das penas

Gretchen defendeu mudanças drásticas no Código Penal, chegando a sugerir a prisão perpétua para crimes de feminicídio, uma medida que, embora popular em momentos de indignação, esbarra na Constituição Brasileira, que veda penas de caráter perpétuo. “Precisamos de uma providência drástica que não permita que eles saiam da prisão cedo”, concluiu a cantora, criticando a progressão de regime para crimes hediondos.

Ineficácia no papel

O apelo da artista reflete um gargalo estatístico. Especialistas apontam que, apesar do rigor da Lei Maria da Penha, o monitoramento dos agressores, como o uso de tornozeleiras eletrônicas e a patrulha ostensiva, ainda é deficitário em grande parte do país. Sem a vigilância constante, a medida protetiva acaba sendo desrespeitada por agressores que não temem as consequências imediatas da lei.

A manifestação de Gretchen reacende a pressão sobre o Governo Federal e o Congresso Nacional para a revisão de projetos que buscam tornar o feminicídio um crime autônomo com penas ainda mais elevadas e menor margem para benefícios penais.

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