Nesta terça-feira (22), Putin se encontrou com a ex-presidenta e atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento Dilma Rousseff, que representou o Brasil na Cúpula do BRICS em razão de um acidente doméstico sofrido por Lula no último domingo(20).
Na reunião, os dois discutiram a importância de acordos financeiros entre os países do BRICS e a redução da dependência do dólar. Putin sugeriu ainda a criação de um sistema alternativo de troca de informações entre os bancos centrais, sem propor uma moeda única.
Lula enfrenta críticas por postura em relação a Putin e participação do Brasil no cenário global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfrentado críticas crescentes por sua abordagem nas relações internacionais, especialmente por manter laços próximos com líderes autoritários como Vladimir Putin e Nicolás Maduro, o que tem impactado a imagem do Brasil no exterior. A posição de Lula sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, em particular, tem gerado controvérsia.
Na última sexta-feira (18), Putin afirmou que, apesar de manter “relações excelentes e amigáveis” com Lula, não comparecerá à Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, prevista para novembro. Essa decisão ocorreu após Lula, em uma declaração polêmica em abril, sugerir que a Ucrânia teria provocado a guerra, além de culpar os EUA e a União Europeia pelo fornecimento de armas. A fala foi vista como uma tentativa de desviar a responsabilidade de Putin, que enfrenta acusações no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra, incluindo o sequestro de crianças ucranianas.
Em 2023, durante outra edição da Cúpula do G20, Lula convidou Putin a visitar o Brasil em 2024, garantindo que ele não seria preso, mas posteriormente recuou, afirmando que a decisão caberia à justiça brasileira. Putin, no entanto, recusou o convite, alegando que não queria desviar o foco das discussões diplomáticas.
Lula tem enfatizado a necessidade de negociações de paz, como demonstrado em seu discurso na Assembleia Geral da ONU de 2023, onde defendeu o papel das Nações Unidas como mediadoras. No entanto, suas ações sugerem um desequilíbrio nas relações: enquanto já recebeu o chanceler russo Sergey Lavrov pelo menos duas vezes, recusou um encontro com o embaixador ucraniano Andriy Melnyk.
A relação de Lula com Putin e sua postura em relação à guerra na Ucrânia têm complicado a neutralidade do Brasil no cenário internacional, colocando o presidente em uma posição delicada.





