Um dos principais obstáculos relacionados à cura para a infecção pelo vírus HIV é o de que esse vírus pode permanecer anos associados a linfócitos do tipo T CD4, sem levar ao aparecimento de qualquer sintoma, sendo caracterizado o período de latência. O vírus associado a esse tipo de linfócito é indetectável pelas células do sistema imunológico e, por isso, é importante que a pessoa realize o tratamento antirretroviral durante toda a vida, pois caso contrário o vírus pode voltar a ser ativado e levar ao aparecimento de sintomas.

Por causa disso, pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte e da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, procuraram entender o mecanismo de latência do vírus e identificar exatamente a forma e o local em que o HIV ficava de forma inativada. A partir dessa descoberta, a cura para a infecção pelo HIV ficou mais próxima, pois agora os pesquisadores sabem onde e como o vírus permanece latente, o que permite que novas pesquisas sejam feitas com o objetivo de tratar o vírus ainda nesse período.

O que foi descoberto

Os pesquisadores descobriram uma forma de tirar o vírus HIV do período de latência, permitindo a sua identificação nos exames realizados periodicamente pelas pessoas com a infecção e que fazer o tratamento antirretroviral. Para alcançar esse objetivo, utilizaram um composto capaz de ativar os linfócitos do tipo T CD4, que são as células em que os vírus permanece associados durante o período de latência. Esse composto, o AZD5582, a partir do momento que ativa os linfócitos, permite a expressão do vírus HIV no sangue e em outros tecidos.

A primeira etapa da pesquisa foi feita com camundongos que possuíam o mesmo tipo de linfócito com o vírus que as pessoas. A partir do momento que foi usado o AZD5582, houve aumento da concentração de RNA viral no sangue, fígado, linfonodos, pulmão e cérebro desses animais. Com isso, foi dado início à segunda etapa da pesquisa, que foi feita com macacos que possuíam as células infectadas pelo vírus da imunodeficiência símia (SIV), em que puderam observar o mesmo resultado.

A partir dos resultados observados nas duas etapas, os pesquisadores conseguiram comprovar a indução da mudança de estado do vírus de latente para ativo, sendo capazes de identificar o “esconderijo” do vírus HIV. Além disso, por meio dessa descoberta, foi possível estabelecer a hipótese de que a mudança do estado latente para ativo seria suficiente para acelerar a diminuição do reservatório, sendo a erradicação do vírus mais rápida.

Próximos passos

A descoberta dos pesquisadores norte-americanos permite que novos estudos sejam realizados com o objetivo de eliminar de vez o vírus HIV. Isso porque a partir do momento que o vírus é tirado do seu estado de latência, fica mais fácil de que novos medicamentos atuem mais diretamente do vírus, o que reflete diretamente no tempo de tratamento antirretroviral que deverá ser feito pelas pessoas infectadas.

Até o momento o estudo foi realizado apenas com camundongos e macacos, não havendo sido experimentado ainda em humanos. Por isso, a próxima etapa do projeto é verificar o efeito do composto AZD5582 em pessoas e, assim, verificar se existe o mesmo efeito nos humanos. Para isso, os pesquisadores já começaram a estabelecer critérios e experimentos para que a pesquisa com pessoas possa acontecer de forma segura, estando previsto os primeiros estudos para 2021.

Fonte: tuasaude.com