Manaus | 4 de junho de 2026 | 22:03:46

Deputados rejeitam fim da escala 6×1 em votação acirrada

Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Na última semana, o plenário da Câmara dos Deputados foi palco de uma votação que gerou grande repercussão no cenário político e trabalhista. Os parlamentares analisaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visava proibir a jornada de trabalho 6×1, que permite que o trabalhador trabalhe seis dias seguidos e tenha um único dia de descanso. A proposta, considerada uma medida de proteção aos direitos trabalhistas, foi rejeitada, com muitos deputados se posicionando contra a mudança nas regras da jornada de trabalho.

O Conteúdo da PEC

A PEC em questão propunha a alteração das normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para extinguir a jornada 6×1, estabelecendo que o trabalhador tenha, no mínimo, um descanso semanal de 24 horas consecutivas, sem a possibilidade de recorrer à escala 6×1, em que a folga ocorre apenas uma vez a cada sete dias. A proposta foi apresentada com a justificativa de que a jornada 6×1 pode ser prejudicial à saúde dos trabalhadores, provocando desgaste físico e emocional, e sendo considerada uma forma de precarização das condições de trabalho. Setores como saúde, comércio e transporte, que frequentemente adotam esse modelo de jornada, seriam os mais afetados pela mudança. No entanto, a PEC encontrou resistência significativa entre os deputados que consideram a flexibilidade nas relações de trabalho uma necessidade, principalmente em setores econômicos que operam 24 horas por dia e não podem interromper suas atividades, como o comércio, transporte e a saúde.

Como se Deu a Votação

A votação da PEC ocorreu no plenário da Câmara dos Deputados após uma extensa sessão de debates. Os parlamentares discutiram os impactos da jornada 6×1 para os trabalhadores e os setores produtivos, dividindo-se entre aqueles que defendiam a manutenção da escala como uma opção válida e aqueles que acreditavam que a mudança poderia beneficiar a saúde dos trabalhadores e garantir melhores condições de trabalho. Ao final da votação, a PEC foi rejeitada, com 234 votos contrários e 191 votos favoráveis, além de 15 abstenções. A derrota da proposta foi um alívio para os deputados que se opuseram à medida, e a jornada 6×1 continua sendo permitida, sem alterações no regime de trabalho. Deputados que se Recusaram a Assinar a PEC

Entre os deputados que se recusaram a assinar a PEC e votaram contra o fim da jornada 6×1, destacam-se nomes de diferentes partidos, muitos dos quais defendem a flexibilidade das relações de trabalho como forma de manter a competitividade de diversos setores da economia.

Nikolas Ferreira (PL-MG): O deputado, que tem se destacado por suas posições liberais em relação à economia e ao mercado de trabalho, foi um dos principais defensores da manutenção da jornada 6×1. Ferreira argumentou que a mudança poderia prejudicar a geração de empregos e aumentar os custos operacionais das empresas, especialmente em setores essenciais como o comércio e a saúde. “Não podemos prejudicar a competitividade do mercado brasileiro com mais regulamentação. A flexibilidade é fundamental”, afirmou o deputado em seu discurso no plenário.

Luiz Carlos Motta (PL-SP): Motta, deputado do Partido Liberal e também defensor da flexibilização das leis trabalhistas, afirmou que a escala 6×1 oferece uma alternativa viável para setores que dependem de trabalho contínuo, como o comércio e os serviços essenciais. “A proposta pode trazer prejuízos à indústria e ao comércio, que precisam dessa flexibilidade para atender a população”, disse Motta.

Cristiane Brasil (PL-RJ): A deputada Cristiane Brasil, do PL, também foi contra a proposta. Ela argumentou que a medida traria impactos negativos, especialmente para pequenos comerciantes e empresas que não têm estrutura para adotar uma jornada com descanso semanal prolongado para todos os funcionários. “É necessário olhar para as pequenas empresas que, muitas vezes, dependem da flexibilidade para se manterem competitivas”, defendeu.

Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP): Líder do Solidariedade, Paulinho da Força se posicionou de maneira contrária à PEC, ressaltando que a manutenção da jornada 6×1 é importante para garantir a liberdade de negociação entre empregador e empregado, permitindo que as partes ajustem as condições de trabalho de acordo com as necessidades do setor. “Essa mudança traria um impacto econômico significativo, e a negociação precisa ser feita com mais liberdade”, afirmou o deputado.

Ricardo Barros (PP-PR): Líder do Progressistas, Barros também foi contrário à PEC, destacando que a jornada de trabalho 6×1 é uma solução importante para garantir a flexibilidade e a continuidade dos serviços em setores essenciais. “A liberdade para negociar turnos de trabalho é importante para garantir o funcionamento do comércio e da indústria”, afirmou Barros. Além desses deputados, outros parlamentares de partidos como PL, Progressistas (PP), Republicanos e Solidariedade se opuseram à PEC, reforçando a ideia de que a flexibilidade nas jornadas de trabalho é essencial para a competitividade do mercado brasileiro e para a geração de empregos.

Dois oito deputados federais que representam o Amazonas, apenas Saullo Vianna (União Brasil), assinou o proposta de emenda à Constituição(PEC). Outros deputados como Alberto Neto(PL), Amom Mandel(Cidadania), Átila Lins(PSD), Pauderney Avelino(União), Sidney Leite(PSD), Silas Câmara(Republicanos) e Adail Filho(Republicanos), não assinaram a proposta até o momento.

Repercussão da Rejeição

A rejeição da PEC gerou reações divididas entre sindicatos e movimentos empresariais. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a decisão foi um retrocesso, pois a jornada 6×1 representa uma forma de exploração do trabalhador, com um descanso insuficiente para manter a saúde física e mental. A CUT e outros movimentos trabalhistas argumentam que a PEC era uma oportunidade de avançar nas garantias de descanso e qualidade de vida dos trabalhadores. Por outro lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP) elogiaram a manutenção da jornada 6×1, afirmando que a flexibilidade é essencial para garantir o funcionamento de setores como o comércio, saúde e transporte, que precisam operar ininterruptamente. Segundo essas entidades, a mudança poderia aumentar significativamente os custos operacionais e prejudicar pequenos e médios empresários.

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