Manaus | 31 de julho de 2026 | 05:32:48

Deputadas acionam Conselho de Ética contra Plínio Valério por fala sobre “enforcar” Marina Silva

Nove deputadas federais, de diferentes siglas partidárias, protocolaram nesta semana uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o senador Plínio Valério (PSDB-AM). O motivo é a declaração do parlamentar, durante um evento no Amazonas, de que teve vontade de “enforcar” a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, após ouvi-la por mais de seis horas durante uma sessão da CPI das ONGs.

A representação é assinada por Benedita da Silva (PT-RJ), Duda Salabert (PDT-MG), Enfermeira Ana Paula (Podemos-CE), Gisela Simona (União Brasil-MT), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Laura Carneiro (PSD-RJ), Maria Arraes (Solidariedade-PE), Tabata Amaral (PSB-SP) e Talíria Petroni (PSOL-RJ), além de Túlio Gadêlha (Rede-PE), principal aliado de Marina no Congresso.

O episódio gerou forte repercussão política. Após a fala vir a público, o senador afirmou que não se arrepende e classificou a declaração como uma “brincadeira”. Ainda assim, foi repreendido publicamente pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A ministra Marina Silva também se manifestou sobre o caso, afirmando que a fala de Plínio Valério é uma incitação à violência contra a mulher. “Só psicopatas são capazes de fazer isso”, declarou.

Na representação, as parlamentares sustentam que a fala configura quebra de decoro parlamentar. Segundo o texto, o comentário “não apenas fere a dignidade da ministra Marina Silva, mas também desqualifica o debate político ao utilizar uma linguagem de incitação à violência”.

As deputadas afirmam ainda que o episódio não pode ser relativizado como um simples excesso verbal. Para elas, o caso afronta os princípios da ética parlamentar e caracteriza violência política de gênero, representando um “acintoso rebaixamento da condição humana”.

Agora, caberá ao Conselho de Ética do Senado avaliar se abre processo disciplinar contra o senador Plínio Valério, que pode levar a sanções que vão de advertência à cassação do mandato.

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