Nove deputadas federais, de diferentes siglas partidárias, protocolaram nesta semana uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o senador Plínio Valério (PSDB-AM). O motivo é a declaração do parlamentar, durante um evento no Amazonas, de que teve vontade de “enforcar” a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, após ouvi-la por mais de seis horas durante uma sessão da CPI das ONGs.
A representação é assinada por Benedita da Silva (PT-RJ), Duda Salabert (PDT-MG), Enfermeira Ana Paula (Podemos-CE), Gisela Simona (União Brasil-MT), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Laura Carneiro (PSD-RJ), Maria Arraes (Solidariedade-PE), Tabata Amaral (PSB-SP) e Talíria Petroni (PSOL-RJ), além de Túlio Gadêlha (Rede-PE), principal aliado de Marina no Congresso.
O episódio gerou forte repercussão política. Após a fala vir a público, o senador afirmou que não se arrepende e classificou a declaração como uma “brincadeira”. Ainda assim, foi repreendido publicamente pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A ministra Marina Silva também se manifestou sobre o caso, afirmando que a fala de Plínio Valério é uma incitação à violência contra a mulher. “Só psicopatas são capazes de fazer isso”, declarou.
Na representação, as parlamentares sustentam que a fala configura quebra de decoro parlamentar. Segundo o texto, o comentário “não apenas fere a dignidade da ministra Marina Silva, mas também desqualifica o debate político ao utilizar uma linguagem de incitação à violência”.
As deputadas afirmam ainda que o episódio não pode ser relativizado como um simples excesso verbal. Para elas, o caso afronta os princípios da ética parlamentar e caracteriza violência política de gênero, representando um “acintoso rebaixamento da condição humana”.
Agora, caberá ao Conselho de Ética do Senado avaliar se abre processo disciplinar contra o senador Plínio Valério, que pode levar a sanções que vão de advertência à cassação do mandato.





