MANAUS (AM) – A deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos) afirmou nesta terça-feira (16) que irá solicitar a prisão preventiva do jornalista e empresário Alex Mendes Braga, acusado de apresentar um atestado médico falso em um processo criminal no qual responde por crimes de estupro, aborto forçado, uso de documento falso e fraude processual.
A declaração foi feita durante um pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), onde a parlamentar classificou o empresário como “criminoso” e acusou-o de tentar obstruir a Justiça.
“O Alex Braga é um estelionatário, um criminoso, um assassino que provocou um aborto forçado, que estuprou uma mulher. Além de responder por todos os crimes, ele é falsificador de documento. E senhores, dentro de um processo, apresentar um atestado falso com o objetivo de parar um processo, é obstrução de justiça. E a Procuradoria da Mulher, que é assistente de acusação do Ministério Público, vai pedir hoje a prisão desse marginal por ele tentar atrapalhar um processo da Justiça“, disse a deputada.
Investigação confirma falsificação
Segundo a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o documento apresentado por Alex Mendes continha diagnóstico de Covid-19 e foi utilizado para justificar sua ausência em uma audiência marcada para o dia 29 de julho de 2025. O juiz responsável pelo caso determinou a apuração da veracidade do atestado.
Durante as investigações, o médico Marcelo Francisco Tiburi, cujo nome constava no documento, declarou à polícia que nunca esteve em Manaus, não conhece a Unidade Básica de Saúde (UBS) mencionada no atestado, não possui registro profissional no Amazonas e não reconhece a assinatura atribuída a ele.
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) também informou que o profissional não está vinculado à unidade citada no documento e apontou inconsistências na assinatura, no papel timbrado e no carimbo utilizados.
Indiciamento por uso de documento falso e fraude processual
O inquérito policial foi conduzido pela delegada Déborah da Fonseca Barreiros, que concluiu pela existência de indícios suficientes de falsidade documental. Segundo o relatório, Alex Mendes Braga foi indiciado pelos crimes de uso de documento falso (art. 304 do Código Penal) e fraude processual (art. 347 do Código Penal).
“Restou comprovado que Alex Mendes Braga fez uso de documento falso, subsumindo-se ao tipo penal do art. 304 do Código Penal. Além disso, ao apresentar o referido documento perante o Juízo, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (sua ausência em audiência), incorreu também no delito de fraude processual”, destaca o relatório da PC-AM.
A investigação foi iniciada após a publicação de uma matéria jornalística apontando possíveis irregularidades no atestado médico apresentado pelo empresário.
Procuradoria da Mulher pedirá prisão
A deputada Alessandra Campelo informou que a Procuradoria da Mulher da Aleam, que atua como assistente de acusação no processo junto ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM), irá protocolar o pedido de prisão preventiva do empresário ainda nesta semana, com base na tentativa de obstrução da Justiça.
A parlamentar acompanha o caso desde o início das investigações e afirma que o pedido de prisão é uma medida necessária diante da gravidade das acusações e da tentativa de interromper o andamento do processo.
O que diz o acusado
Até o momento da publicação desta matéria, Alex Mendes Braga não havia se pronunciado publicamente sobre as acusações. A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da defesa.
Entenda os crimes mencionados na investigação:
- Estupro – art. 213 do Código Penal
- Aborto sem consentimento da gestante – art. 125 do Código Penal
- Uso de documento falso – art. 304 do Código Penal
- Fraude processual – art. 347 do Código Penal
- Obstrução de Justiça – em análise pelo Ministério Público
Situação atual
O caso segue em tramitação sob sigilo parcial na Justiça do Amazonas. Com o indiciamento formalizado, o Ministério Público deve analisar os autos para eventual oferecimento de nova denúncia relacionada à falsificação do atestado.
A possível prisão preventiva de Alex Mendes Braga poderá representar um novo desdobramento em um caso que já provocou forte repercussão social e política no estado.





