Manaus | 4 de junho de 2026 | 05:57:30

Deputada estadual do Ceará rasga “Pacto Contra o Feminicídio” e reafirma postura: “Discurso ideológico”

foto reprodução

O que começou como um gesto isolado na última semana transformou-se em um embate político prolongado na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). A deputada estadual Dra. Silvana (PL-CE), que ganhou destaque nacional ao rasgar o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, voltou à tribuna nesta semana para reafirmar sua posição, ignorando as críticas e dobrando a aposta contra o documento.

O Gesto e a Justificativa Inicial

Durante a sessão do dia 05/02, a parlamentar rasgou o documento alegando que ele era “ineficaz” por não incluir o papel das igrejas e das instituições religiosas no combate à violência. Segundo ela, o feminicídio ocorre porque as pessoas “não estão seguindo o Santo Evangelho” e o pacto, lançado pelo governo federal, seria apenas uma estratégia política para criar uma “queda de braço” entre homens e mulheres.

Atualização: O Embate Continua


Nesta semana, o clima na Alece permaneceu tenso com novos desdobramentos:

Reiteração das Críticas: Em novo discurso (10/02), Dra. Silvana classificou o pacto como um “pedaço de papel com discurso ideológico de esquerda” e afirmou que o governo tenta isolar a influência cristã na sociedade.

Apoio da Oposição: A deputada deixou de estar isolada nas críticas. O deputado Sargento Reginauro (União) saiu em sua defesa, afirmando que o gesto foi um ato de coragem para representar a comunidade cristã que se sente excluída das políticas públicas atuais.

A Resposta da Bancada Feminina: Deputadas como Larissa Gaspar (PT) e Missias Dias (PT) intensificaram o contra-ataque, classificando a atitude de Silvana como um desrespeito à memória das vítimas. Elas reforçaram que o pacto é técnico e visa agilizar medidas protetivas, independentemente de religião.

Instituições Ignoram Protesto e Avançam


Apesar da polêmica provocada pela deputada, o pacto segue ganhando força institucional. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou nesta semana sua adesão oficial à iniciativa. Na prática, o Judiciário, o Governo do Estado e o Legislativo decidiram isolar o protesto da parlamentar e focar na implementação de novos juizados de violência doméstica e na fiscalização rigorosa de agressores.

O que é o Pacto?

O Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio é uma articulação entre os Três Poderes para reduzir os índices de violência letal contra mulheres, que seguem altos no país. O plano foca em:

Expansão de casas de acolhimento.

Monitoramento eletrônico de agressores.

Treinamento de forças policiais para atendimento humanizado.


O caso mostra uma divisão clara na Alece entre a pauta de costumes/religiosa (liderada por Silvana) e a pauta de segurança pública/institucional. Enquanto a deputada foca no simbolismo e na ideologia, as instituições do estado decidiram tratar o feminicídio como uma urgência administrativa que não pode parar por causa de um documento rasgado.

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