Manaus | 25 de julho de 2026 | 14:31:41

Deputada afirma que PL do Aborto é hipocrisia travestida de ideologia

Em pronunciamento forte e carregado de declarações contundentes, a deputada estadual Alessandra Campêlo (Podemos) se posicionou contrária ao Projeto de Lei 1904 que equipara à homicídio a prática do aborto após a 22ª semana de gestação, que está tramitando na Câmara dos Deputados. A medida vem sendo alvo de diversas manifestações pelo Brasil, pois criminaliza a mulher que abortar após esse período, mesmo tendo sido vítima de estupro.

“Infelizmente não é falta de saber jurídico, não é idiotice, é hipocrisia, a arte de pregar em público o que você não faz no privado”, foi assim que ela tratou a respeito da postura de diversos deputados e deputadas que assinaram o PL 1904. Alessandra disse que não ia “julgar se aquela deputada já fez um aborto, se o deputado já obrigou uma mulher a fazer um aborto, que isso é a hipocrisia travestida de ideologia”.

Alessandra Campêlo criticou a conduta hipócrita de “homens que tem amantes, de homens que muitas vezes não permitem que a mulher fora do casamento tenha filhos para que o caso não venha ser descoberto”.

A parlamentar citou dados para alertar à população quanto à gravidade do PL. Segundo ela, a cada dez estupros cometidos no Brasil, seis são contra crianças mulheres. “A maioria das que recorrem de uma gravidez tardia são crianças, que muitas vezes nem sabe que está grávida e nem os seus pais, que são estupradas inclusive por seus pais, padastros, primos, tios, vizinhos”, ressaltou.

Um caso mencionado por Alessandra foi o de uma criança de 10 anos que não sabia da gravidez, e que a mãe só veio descobrir depois que saiu “um líquido dos seios dela, o colostro, e aí que a mãe veio descobrir que a filha vinha sendo estuprada pelo tio”.

O autor do projeto de lei, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL), foi alvo da deputada, que lançou a pergunta sobre qual seria a postura dele caso a sua filha viesse a ser estuprada, e descobrisse da gestação somente após a 22ª semana. “Será que ele iria apoiá-la a ter o filho do estuprador? Porque se fosse a minha filha eu a apoiaria se quisesse tirar”, afirmou Câmpelo.

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