Na última sexta-feira (24/1), a Polícia Federal (PF) informou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que os brasileiros deportados dos Estados Unidos chegaram ao Brasil algemados. O grupo foi liberado em Manaus e recebeu alimentação e acesso a banheiros, conforme relatado pelas autoridades brasileiras.
Este voo de deportados, que marca o primeiro da era Trump, trazia 158 passageiros de diversas nacionalidades, dos quais 88 eram brasileiros. O voo, originalmente com destino a Belo Horizonte (MG), precisou fazer uma parada técnica em Manaus para abastecimento. Durante essa parada, problemas técnicos foram identificados e o voo foi cancelado, obrigando a transferência dos deportados para um voo operado pela Força Aérea Brasileira (FAB) para concluir o trajeto até Confins.
Os deportados não foram presos durante o governo Trump, mas haviam sido retirados das ruas ainda sob a administração do ex-presidente Joe Biden. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Justiça, destacou que houve um “flagrante desrespeito aos direitos fundamentais” dos cidadãos brasileiros e que trabalha para garantir que o transporte seja feito com “dignidade e segurança”. O ministro Lewandowski determinou que as algemas fossem retiradas assim que os deportados chegassem ao Brasil.
A PF, em comunicado, informou que os deportados não seriam novamente detidos pelas autoridades americanas. Eles foram acolhidos em área restrita no aeroporto de Manaus, onde receberam alimentação, água, colchões e acesso a banheiros com chuveiros.
Além disso, o Governo do Amazonas prestou assistência aos 88 brasileiros, fornecendo colchões, travesseiros, água potável e itens de higiene pessoal. O governo federal organizou a viagem para Belo Horizonte, com acompanhamento de militares da FAB e policiais federais, para garantir a segurança dos deportados.
Desde 2017, durante o governo Temer, os voos de deportação dos Estados Unidos ocorrem regularmente, com frequência de uma a duas vezes por mês, sempre às sextas-feiras. Os deportados, por estarem em situação irregular nos Estados Unidos, foram detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) norte-americano.
Além disso, um comunicado do ICE revelou que, no dia da posse de Donald Trump, a cifra total de imigrantes detidos com documentação ilegal nos Estados Unidos chegou a 593, sendo 449 deles considerados detidos em instalações. No mesmo dia, Trump decretou uma “emergência nacional” na fronteira com o México, como parte de sua ofensiva contra a imigração ilegal.






