Orientações contemplam respeito aos costumes e às tradições na aplicação de medidas cautelares e de penas restritivas de direitos.

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) publicou, nesta terça-feira (9/2), uma resolução na qual recomenda tratamento judiciário diferenciado para pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade.

Entre as orientações, está o reconhecimento de sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. A partir disso, o órgão sugere que haja intérprete em todas as etapas do processo, caso a língua primária falada pelo acusado não for a portuguesa.

Também são listadas garantias específicas aos indígenas, além das garantias processuais gerais, tais como a utilização de mecanismos de responsabilização próprios da comunidade indígena e o respeito aos costumes e tradições na aplicação de medidas cautelares e de penas restritivas de direitos.

O Estatuto do Índio prevê regime especial de semiliberdade, sendo recomendada a conversão da multa em prestação de serviços à comunidade indígena.

Também é recomendada a adequação das condições de cumprimento de pena em estabelecimento penal às especificidades culturais em matéria de visitas sociais, alimentação, assistência à saúde assistência religiosa, acesso a trabalho e educação.

Quando for necessária a realização de exame criminológico, a resolução determina este seja feito de forma multidisciplinar, com a participação de intérprete e antecedido de exame antropológico, por meio de especialista na etnia do examinado e com a devida consulta à comunidade.

Fonte: Metrópoles