Manaus | 4 de junho de 2026 | 14:24:29

Dengue: Governo Federal lança plano de contingência diante do ressurgimento de sorotipo

Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (9) o Plano Nacional de Contenção para Dengue e outras arboviroses, destacando o aumento significativo do sorotipo 3 do vírus da dengue como uma das principais preocupações para 2025. O Brasil, que tradicionalmente enfrenta o sorotipo DENV-1, registrou em dezembro de 2024 que 40,8% dos casos de dengue foram causados pelo DENV-3, com maior concentração em São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná.

O sorotipo DENV-3 não era identificado no país desde 2008, o que, segundo a secretária de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel, torna a população mais vulnerável, já que muitos não possuem imunidade contra ele. Além disso, pessoas que já foram infectadas por outros sorotipos têm maior risco de desenvolver formas graves da doença.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que a intensificação dos casos de dengue e o ressurgimento de novos sorotipos são consequências diretas das mudanças climáticas, já que o aquecimento global tem expandido a disseminação da doença para novas regiões.

Apesar do aumento dos casos, o Ministério da Saúde ressaltou que o país ainda não está em uma situação de emergência, mas segue em alerta e adota medidas preventivas. Nos primeiros dias de 2025, os registros de casos de dengue foram cerca de cinco vezes menores do que no mesmo período do ano passado.

Em relação à vacinação, o governo já adquiriu 9,5 milhões de doses da vacina Qdenga para distribuição em 2025. Atualmente, a vacina está disponível apenas para crianças entre 10 e 14 anos, que são o grupo de maior risco para formas graves da doença. Não há previsão de ampliação da faixa etária que pode receber a vacina gratuitamente devido à capacidade de produção mundial.

Para reforçar o combate à dengue e outras arboviroses, o Ministério da Saúde criou o Centro de Operações de Emergência (COE) e anunciou um plano de contingência com a integração de governos federal, estadual e municipal. Serão investidos R$ 1,5 bilhão em medidas preventivas e de controle.

Uma das principais estratégias é a utilização de novas tecnologias para combater o mosquito Aedes aegypti, como a ampliação do método Wolbachia. Nele, mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria impedem o desenvolvimento do vírus da dengue e se reproduzem com outros mosquitos, criando uma nova população com a mesma característica. Esse método foi implantado em três municípios em 2024 e será expandido para 40 municípios neste ano.

Outras ações incluem a instalação de estações disseminadoras de larvicidas e a implementação de mosquitos estéreis em aldeias indígenas.

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