Analistas ponderam que taxa mais baixa reflete menor procura por trabalho.
O mercado de trabalho bateu um novo recorde: o número de pessoas ocupadas passou dos cem milhões pela primeira vez na série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE, nesta quinta-feira, apontam o recuo da taxa de desemprego para 7,6%, no trimestre encerrado em outubro. Os dados de emprego surpreenderam positivamente este ano, assim como o do PIB, mostrando de fato uma melhora no cenário. No entanto, a notícia não é tão boa quanto parece, dizem analistas.
– Se os níveis de procura por trabalho tivessem se mantido como no início da pesquisa, a taxa de desemprego estaria próxima dos dois dígitos. A taxa de 7% de hoje não representa os mesmos 7% de cinco anos atrás – explica Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do FGV Ibre.
Os dados da Pnad mostram que a taxa de participação da população economicamente ativa ainda está bem abaixo do nível pré-pandemia: 61,9% contra 63,4%, em fevereiro de 2020.
Lucas Assis, economista e analista da Tendências Consultoria, ressalta queda na procura do emprego também tem um efeito dos programas de transferência de renda. Ele pondera ainda que o patamar recorde de ocupação é fruto também de uma questão demográfica, do crescimento da população, pontuando que o recorde não é exatamente o reflexo de um mercado de trabalho em franca expansão.
– Para 2024, a perspectiva para o mercado de trabalho ainda é positiva. Mas o que estamos vendo até aqui um recuperação relativa, de fato, se olharmos para o início da década – diz Assis.
Barbosa Filho chama ainda atenção para o fato de que a taxa de desemprego com ajuste sazonal está estacionada há quatro meses e que essa queda pode estar relacionada à sazonalidade, o desemprego cai época do ano.
Para Rodolfo Margato, economista da XP, um destaque positivo são os rendimentos reais do trabalho seguem em trajetória altista. Ajustado pela inflação, o rendimento habitual médio teve expansão de 0,5% em outubro vs. setembro, ficando 2,0% acima do nível de dezembro de 2022 e 1,2% acima dos números pré-Covid. Em resumo, os salários reais continuam em alta, mas não ao ritmo forte que havia sido sugerido pelos dados de setembro (que consideramos como “ponto fora da curva”).
Em seu relatório, João Savignon, head de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital, avalia que o mercado de trabalho segue corroborando o cenário de desaceleração gradual da economia doméstica. Ele projeta uma taxa de desemprego média de 8,0% em 2023.
Rafael Perez , economista da Suno Research, espera uma expansão menor da economia em 2024 – alta de 1,5% –, quando comparada a 2023, por isso, diz não enxergar espaço para quedas significativas na taxa de desemprego ao longo do próximo ano, mas sim uma manutenção do atual nível.





