MANAUS – O caminho entre uma unidade de internação e as salas de aula de uma faculdade de Direito pode parecer longo, mas para Kelveny Seixas, ele foi pavimentado com livros e apoio técnico. Ex-socioeducando do sistema gerido pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Kelveny é hoje o rosto de uma estatística que o Estado luta para ampliar: a de jovens que transformam o conflito com a lei em oportunidade acadêmica.
Atualmente cursando o terceiro período de Direito, o universitário relembra que a mudança começou ainda dentro do Departamento de Atendimento Socioeducativo (Dase). “Muitos chegam sem matrícula ou com o ensino atrasado. Dentro do sistema, temos aula todo dia. Isso fez a diferença para mim”, afirma Kelveny, que contou com suporte para concluir o ensino médio e, posteriormente, ingressar em uma graduação gratuita.
Educação Personalizada e Fluxo Contínuo
O sucesso de trajetórias como a de Kelveny não é obra do acaso. Segundo Jerlisson Portilho, chefe do departamento, o sistema adota um modelo de nivelamento imediato. Assim que o jovem ingressa em uma das unidades, seu histórico escolar é revisado e ele é matriculado na série correspondente, independente do calendário letivo externo.
“Garantimos que ele conclua o ano letivo. Quando ele deixa a unidade, permanece matriculado por determinação judicial, assegurando que a escola regular o acolha sem interrupções”, explica Portilho.
O Desafio do Pós-Internação: Programa #Conectados
A ressocialização enfrenta seu maior teste no momento do desligamento. Para evitar que o jovem retorne a contextos de vulnerabilidade sem amparo, a Sejusc mantém o programa #Conectados. A iniciativa da Secretaria Executiva de Direitos da Criança e Adolescente (Sedca) monitora os egressos, oferecendo orientação e facilitando a inserção no mercado de trabalho e no ensino superior através de parcerias públicas e privadas.
Raio-X: O Sistema Socioeducativo no Amazonas
Atualmente, o estado conta com diferentes unidades de atendimento que integram educação, esporte e apoio psicossocial:

Para Kelveny, o sistema foi o suporte necessário para reescrever seu futuro. “A educação abre portas tanto para trabalho quanto para a universidade”, conclui o futuro advogado, que hoje utiliza sua história para provar que o sistema socioeducativo, quando focado na cidadania, pode sim ser um ponto de virada.





