Manaus | 22 de julho de 2026 | 07:48:13

Crianças com formação musical têm “maior capacidade de controlar impulsos”

A música é uma linguagem universal que transcende culturas e gerações, mas seu impacto vai muito além da melodia. Segundo Assal Habibi, investigadora do Brain and Creativity Institute da Universidade do Sul da Califórnia, o ensino musical tem o potencial de transformar o desenvolvimento infantil, influenciando diretamente o desempenho escolar e o bem-estar emocional.

Habibi, que dedica sua carreira a estudar a relação entre música e neurociência, destaca como aulas de música promovem o sucesso acadêmico ao melhorar habilidades essenciais como atenção, memória e capacidade de planejamento. “As crianças que participam de programas de educação musical demonstram maior desenvolvimento em áreas do cérebro associadas à atenção e à memória, o que é crucial para o aprendizado escolar”, explica.

Além dos benefícios cognitivos, o ensino musical também desempenha um papel vital na regulação emocional. Segundo Habibi, aprender a tocar um instrumento ou cantar em um coral exige disciplina, paciência e prática contínua – habilidades que ajudam as crianças a lidar com desafios e a desenvolver resiliência. “A música também proporciona um espaço para expressão emocional, algo particularmente importante em momentos de transição e crescimento”, observa.

Estudos conduzidos pela pesquisadora mostram que crianças envolvidas em programas musicais de longo prazo não apenas têm melhor desempenho em testes padronizados de matemática e leitura, como também demonstram maior empatia e habilidades sociais. Essa combinação de benefícios cognitivos e emocionais faz da educação musical uma ferramenta poderosa para preparar os jovens para os desafios futuros, tanto na escola quanto na vida.

Habibi enfatiza ainda a importância de tornar a educação musical acessível para todos. “Infelizmente, muitas comunidades carecem de recursos para programas musicais. Investir na música é investir no futuro de nossas crianças e em uma sociedade mais criativa, empática e bem-sucedida”, afirma.

Com evidências tão claras, pais, educadores e formuladores de políticas públicas têm muito a considerar. Seja incentivando o aprendizado de um instrumento, cantando em casa ou apoiando iniciativas comunitárias de educação musical, o importante é reconhecer que a música não é apenas uma atividade extracurricular – é uma ponte para o desenvolvimento integral das crianças.

Assim, como pontua Habibi, “a música tem o poder de moldar não apenas o cérebro, mas também o coração e a alma.”

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