Manaus | 21 de agosto de 2026 | 17:28:07

Cresce a frequência escolar de crianças mas desigualdades regionais ainda persistem

De acordo com a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a frequência escolar de crianças no Brasil registrou crescimento no último ano. Na faixa etária de 0 a 3 anos, o índice subiu de 36% em 2022 para 38,7% em 2023. Para crianças de 4 e 5 anos, que têm matrícula obrigatória, houve um aumento de 91,5% para 92,9%.

Os dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais 2024, um estudo que analisa as condições de vida da população brasileira, abordando temas como educação, mercado de trabalho, saúde e renda.

O crescimento mais expressivo na frequência escolar de crianças menores foi registrado na região Norte, embora a cobertura ainda seja desigual entre os estados. Em alguns lugares, como Rio de Janeiro e Distrito Federal, mais de 38% das matrículas estão em instituições privadas, enquanto em estados como Acre e Tocantins esse percentual fica abaixo de 10%.

Apesar do aumento, o Brasil ainda está distante de atingir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que estipula que 50% das crianças de 0 a 3 anos devem estar matriculadas até 2024. Atualmente, a meta parece difícil de ser alcançada, já que seria necessário um avanço de 11,3 pontos percentuais até o fim do próximo ano.

A pesquisa também revela disparidades regionais. As regiões Sul e Sudeste apresentam os maiores índices de frequência escolar para crianças de 0 a 3 anos, com 45,6% e 45,5%, respectivamente. Em contrapartida, a região Norte registra apenas 20,9% de cobertura. Para a faixa etária de 4 e 5 anos, as maiores frequências são observadas no Sudeste (94,5%) e no Nordeste (94,4%).

Embora a frequência escolar esteja em alta para crianças em idade escolar, o IBGE também aponta desafios no acesso à educação, especialmente na faixa etária de 0 a 3 anos, onde 60,7% das crianças fora da escola em 2023 não estavam matriculadas por opção dos pais. Outros 34,7% ficaram fora devido à falta de vagas e problemas de infraestrutura, como transporte e segurança.

Em relação ao abandono escolar, a pesquisa mostrou que 9,1 milhões de jovens de 15 a 29 anos deixaram os estudos sem concluir a educação básica em 2023. A principal razão para o abandono foi a necessidade de trabalhar, especialmente entre os homens (53,5%). As mulheres também mencionaram a gravidez (23,1%) e os afazeres domésticos (9,5%) como motivos significativos.

Os dados do IBGE mostram um cenário de avanços, mas também revelam desafios persistentes. O estudo ressalta a necessidade de políticas públicas mais eficazes para garantir o acesso à educação de qualidade, especialmente para as crianças mais novas e para a população adulta, onde uma grande parte ainda não completou o ensino médio.

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