BARCELOS (AM) – Pequenos negócios liderados por indígenas no município de Barcelos, a 399 quilômetros de Manaus, começaram a receber um aporte financeiro do governo do Amazonas para a consolidação da economia local. Através de uma parceria entre a Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam) e a Afeam, foram liberados mais de R$ 70 mil em recursos do programa + Crédito Indígena.
A iniciativa foca em um gargalo histórico: a exclusão de povos originários das linhas de crédito convencionais. Por conta de burocracias bancárias e falta de garantias exigidas pelo sistema financeiro padrão, muitos produtores das comunidades tradicionais ficavam à margem de investimentos.
Fomento à Economia de Base
Os valores liberados em Barcelos seguem o teto estabelecido para o interior do estado, que permite propostas de até R$ 10 mil por empreendedor, valor superior ao limite de R$ 6 mil aplicado na capital. O objetivo é que esse recurso circule dentro das próprias comunidades, financiando atividades como:
Agricultura Familiar: Compra de insumos e ferramentas;
Artesanato: Aquisição de matéria-prima e logística de escoamento;
Pequeno Varejo: Estruturação de comércios locais nas aldeias.
Autonomia e Sustentabilidade
Para além do repasse financeiro, o programa é defendido pelos gestores como uma ferramenta de autonomia. Segundo Nilton Makaxi, diretor-presidente da Fepiam, o foco é garantir condições concretas para que o microempreendedor indígena desenvolva seu negócio respeitando as especificidades territoriais e culturais de cada região.
A expectativa dos órgãos envolvidos é que o modelo de Barcelos seja replicado em outras calhas de rios nos próximos meses. O desafio, agora, é garantir que o crédito chegue acompanhado de assistência técnica, permitindo que o desenvolvimento econômico ocorra de forma sustentável e duradoura nas regiões mais isoladas do Amazonas.








