Manaus | 8 de agosto de 2026 | 17:00:27

CPMI do INSS escancara fraude bilionária e aprova quebra de sigilo de investigados, incluindo ex-presidente do órgão

foto: Lula Marques / Agência Brasi

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a fraude bilionária no INSS envolvendo descontos ilegais de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas deu um passo decisivo nesta quinta-feira (11). O colegiado aprovou cerca de 400 pedidos de informações, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados, incluindo o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

A CPMI apura como milhões de beneficiários tiveram valores descontados indevidamente, sem autorização, por parte de associações, empresas e entidades suspeitas. A fraude é alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em abril, que já apontava indícios de um esquema com repasses milionários e envolvimento de figuras públicas e empresários.

Entre os alvos dos novos requerimentos estão:

Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS
Maurício Camisoti
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS

Na semana passada, a CPMI já havia aprovado pedidos de prisão preventiva contra os três e outros 18 investigados.

“Queremos saber exatamente onde está todo este patrimônio, tudo o que foi roubado da Previdência”, afirmou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Segundo ele, o objetivo dos parlamentares é rastrear todo o caminho do dinheiro, identificar os beneficiados com os repasses e esclarecer o papel de cada envolvido no esquema.

Os parlamentares também requisitaram dados de entrada e saída dos investigados em órgãos públicos e documentos da Polícia Federal (PF), Controladoria-Geral da União (CGU) e do próprio INSS que sustentem a existência das irregularidades.

Depoimento do ex-ministro

Após a aprovação dos requerimentos, os membros da CPMI ouviram o depoimento do ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência Social, Ahmed Mohamad Oliveira, anteriormente conhecido como José Carlos Oliveira.

Ele presidiu o INSS entre novembro de 2021 e março de 2022, e depois assumiu o ministério da Previdência no governo Jair Bolsonaro. Durante o depoimento, afirmou que só soube da fraude após a deflagração da Operação Sem Desconto, em 2024, e disse que o INSS não tem estrutura para fiscalizar os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com associações e entidades.

A CPMI promete avançar nas investigações e convocar novos nomes nos próximos dias. O caso pode se tornar um dos maiores escândalos da história recente do sistema previdenciário brasileiro.

com informações da Agencia Brasil

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