Manaus | 4 de junho de 2026 | 13:00:38

Coreia do Sul confirma que Ucrânia capturou dois soldados norte-coreanos

Foto: Reprodução

O Serviço Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul confirmou, neste domingo (12), que dois soldados norte-coreanos foram capturados pela Ucrânia em um campo de batalha na região russa de Kursk, em 9 de janeiro. A confirmação ocorreu após Kiev alegar que os soldados estavam sendo interrogados. A notícia é um reflexo do crescente envolvimento da Coreia do Norte na guerra da Ucrânia, apoiando a Rússia com recursos humanos e militares, embora Moscou e Pyongyang não tenham respondido oficialmente.

De acordo com o NIS, a cooperação em tempo real com a Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) ajudou a identificar a captura dos dois soldados. No sábado (11), a SBU divulgou imagens dos soldados feridos em camas de hospital, com um deles com as mãos enfaixadas e o outro com a mandíbula imobilizada, além de fraturas visíveis. A SBU afirmou que os homens eram “soldados experientes do exército norte-coreano”.

Entretanto, Kiev não apresentou provas definitivas sobre a nacionalidade dos prisioneiros, e a AFP não conseguiu verificar as informações independentemente. A confirmação do NIS sul-coreano, que afirmou que um dos soldados capturados revelou que havia recebido treinamento militar da Rússia desde novembro, dá maior credibilidade às alegações da Ucrânia.

O NIS revelou que um dos soldados norte-coreanos afirmou, durante o interrogatório, que inicialmente acreditou estar indo para treinamento na Rússia, mas ao chegar, percebeu que havia sido enviado para o front de combate. Ele também relatou que as forças norte-coreanas sofreram grandes perdas durante a batalha e que ficou sem comida e água por até cinco dias antes de ser capturado.

A cooperação entre os serviços de inteligência da Ucrânia e da Coreia do Sul continua, com o NIS prometendo seguir compartilhando informações sobre a presença de soldados norte-coreanos na Ucrânia.

Desde o início da guerra na Ucrânia, Rússia e Coreia do Norte estreitaram seus laços militares e políticos, mas a Coreia do Norte nunca confirmou oficialmente o envio de tropas para lutar ao lado de Moscou. No entanto, tanto os EUA quanto Seul têm evidências de que mais de 10 mil soldados norte-coreanos podem ter sido enviados para apoiar a Rússia no conflito.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou recentemente que a Rússia e a Coreia do Norte estão expandindo sua cooperação, incluindo o compartilhamento de tecnologia espacial e de satélites. Ele também apontou que Moscou poderia reconhecer formalmente a Coreia do Norte como uma potência nuclear, um movimento que teria grandes implicações para a segurança internacional.

Em uma declaração feita em dezembro, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky afirmou que cerca de 3.000 soldados norte-coreanos haviam sido mortos ou feridos lutando ao lado das forças russas. No entanto, Seul acredita que o número real seja de cerca de 1.000. Essa estatística reflete o alto custo humano para o regime de Kim Jong Un, que tem apoiado a Rússia com equipamentos e treinamento militar.

As relações entre Moscou e Pyongyang têm se intensificado desde a invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022. Em uma carta de Ano Novo, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, elogiou o presidente russo, Vladimir Putin, e indicou que o ano de 2025 seria um marco para a vitória contra o que chamou de “neonazismo”, referindo-se à luta da Rússia na Ucrânia.

Com o apoio militar da Coreia do Norte, a Rússia tem fortalecido suas capacidades enquanto continua a guerra na Ucrânia, mas a presença de soldados norte-coreanos e as crescentes tensões geopolíticas geram um ambiente incerto para a segurança internacional.

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