A sessão da CPI dos “pancadões” na Câmara Municipal de São Paulo ganhou um momento tenso nesta quinta-feira (28), quando o vereador Rubinho Nunes, presidente da comissão, ameaçou dar voz de prisão ao ativista Thiago Torres, conhecido como “Chavoso da USP”.
A confusão começou quando o parlamentar perguntou ao sociólogo se havia crime organizado nas periferias. A resposta veio contundente: “Existe em todo lugar, inclusive dentro desta Casa.” Irritado, Rubinho exigiu que Torres revelasse os nomes dos vereadores supostamente envolvidos em organizações criminosas. Ao notar a falta de resposta, ele declarou: “Se o senhor não responder, adoto as medidas legais” e alertou que poderia até decretar sua prisão.
O clima seguiu tenso e conflituoso, com parlamentares do PSOL, Keit Lima, Amanda Paschoal e Luana Alves defendendo o direito de expressão do ativista e contestando a retórica agressiva do presidente da comissão. O advogado de Torres chegou a questionar a legalidade da ameaça.
Além do embate direto, a sessão envolveu debates mais amplos sobre funk e cultura periférica. Chavoso contestou a tentativa de criminalizar bailes de rua, ressaltando que outros gêneros musicais, como o funk “embranquecido” utilizado em campanhas políticas não sofrem a mesma reprimenda. Ele denunciou uma abordagem seletiva exercida sobre manifestações culturais nas periferias, em contraponto às expressões culturais aceitas pela elite.





