Manaus | 26 de julho de 2026 | 02:59:43

Comprar pão em Cuba: vídeo revela rotina marcada por racionamento e escassez

Uma mulher cubana chamou atenção nas redes sociais ao mostrar a rotina de comprar pão em Cuba, um processo que envolve muito mais do que simplesmente ir à padaria. A compra depende da caderneta de abastecimento (libreta), um sistema de racionamento estatal que regula o acesso a alimentos básicos. Segundo o vídeo publicado por ela, a quantidade de pães disponíveis depende do número de pessoas registradas na residência e o produto só pode ser adquirido nos moldes definidos pelo governo.

A realidade retratada foi confirmada por diversas fontes oficiais e independentes. Desde 2024, o governo cubano reduziu a gramagem do pão normado de 80 para 60 gramas, além de limitar dias de venda em algumas províncias. A mudança foi atribuída à escassez de farinha de trigo e à crise econômica que o país enfrenta.

Pão menor, mas ainda essencial

O pão fornecido pelo governo é parte da “canasta básica”, ou cesta básica familiar, garantida pela libreta. Trata-se de um sistema criado na década de 1960 para garantir que toda a população tenha acesso a produtos essenciais com preços subsidiados.

Em setembro de 2024, a padaria estatal passou a fornecer pães de apenas 60 gramas, ao preço de 0,75 peso cubano (CUP). Antes, o pão pesava 80 g e custava 1 CUP. A redução teve impacto direto no cotidiano das famílias cubanas, principalmente nas mais pobres.

“Estamos vendendo menos pão porque não temos farinha suficiente. Recebemos instruções para reduzir o peso e manter a distribuição o mais equilibrada possível”, disse um funcionário de uma padaria estatal na província de Artemisa, em entrevista ao portal CiberCuba.

Controle rígido, mas desigual

O sistema da libreta exige que cada cidadão esteja registrado como parte de um “núcleo familiar”. Com base nesse cadastro, é feito o controle da entrega de alimentos. Embora não haja uma regra nacional clara sobre a quantidade exata de pão por pessoa, muitas localidades implementam restrições práticas de acordo com o número de membros na residência.

O que não está documentado oficialmente é o registro diário de compras na caderneta algo mencionado no relato da mulher. Especialistas e moradores locais indicam que, embora a data da entrega dos produtos seja marcada em alguns casos, isso não é uma regra uniforme para todo o país.

“Algumas panaderías anotam quando você comprou para evitar que repita a compra fora do seu dia. Outras apenas entregam conforme o sistema manda, sem esse controle”, explica uma fonte local de Santiago de Cuba.

Filas, incerteza e frustração

Em seu relato, a mulher diz ter tido “sorte” por não ter enfrentado fila ao comprar pão, o que, segundo ela, seria raro. A observação reflete uma realidade frequente no país: a formação de longas filas nas padarias e pontos de distribuição, especialmente quando há atraso na entrega ou quando a quantidade de pão é inferior à demanda.

Em algumas regiões, como Las Tunas, a distribuição do pão da libreta chegou a ser restringida a apenas dois dias por semana, às terças e quintas por falta de matéria-prima. Nessas circunstâncias, moradores precisam recorrer ao pão vendido fora do sistema subsidiado, que tem preços muito mais altos e qualidade variável.

“Nem sempre conseguimos comprar o pão do dia. Quando chega, é pouco, e às vezes até menor do que os 60 gramas prometidos”, conta uma moradora em reportagem do portal Cubacute.

Sistema pressionado pela crise

A crise econômica cubana, agravada por sanções internacionais, queda na produção agrícola e dificuldade de importação, tem pressionado todo o sistema de abastecimento estatal. A produção de alimentos, especialmente os que dependem de insumos importados, como o trigo, está entre os setores mais afetados.

Além do pão, outros produtos da cesta básica também sofrem com atrasos, cortes e redução de quantidades. A escassez gera tensões e amplia a desigualdade entre quem consegue acessar o mercado informal e quem depende exclusivamente dos subsídios estatais.

Expectativa e incerteza

Até o momento, o governo cubano não anunciou uma solução definitiva para o fornecimento regular de pão normado. As medidas atuais são consideradas emergenciais e, segundo autoridades, serão revistas assim que a disponibilidade de farinha se estabilizar.

Enquanto isso, famílias como a da mulher do vídeo continuam enfrentando um cotidiano de incertezas, controle rígido e alimentação restrita, mesmo quando se trata de um item tão básico quanto o pão.

Fontes:

CiberCuba – Governo reduz peso do pão da libreta
Cubacute – Restrição de dias de venda em Las Tunas
Granma – Normas para inscrição no registro de consumidores
Cubacute – Reclamações sobre o tamanho do pão

Veja o vídeo AQUI

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