MANAUS – Quem já precisou enfrentar a recepção do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto sabe que o fluxo intenso é um desafio crônico. Agora, a estrutura que compõe o Complexo Hospitalar Sul (CHS) tenta dar um xeque-mate no gargalo dos atendimentos pós-cirúrgicos. As obras do novo Hospital-Dia e da Policlínica chegaram à fase de acabamento e devem ser entregues na segunda quinzena de março.
A proposta é simples, mas estratégica: separar quem precisa de socorro imediato de quem precisa apenas trocar um gesso, retirar pontos ou fazer uma consulta de retorno.
O fim do “paciente bumerangue”
Atualmente, muitos pacientes que recebem alta após uma cirurgia acabam voltando para a fila do pronto-socorro para procedimentos simples de acompanhamento. A nova unidade foi projetada para quebrar esse ciclo.
Foco no Pós-Operatório: Pacientes vindos do 28 de Agosto ou do Instituto Dona Lindu terão um local específico para revisão e continuidade do tratamento.
Curta Permanência: Procedimentos que levam de 4 a 5 horas, onde o paciente entra, resolve e sai no mesmo dia, serão absorvidos pela nova estrutura.
Capacidade: A estimativa é de 80 atendimentos diários, o que representa um alívio direto na pressão das unidades de urgência vizinhas.
O “Padrão Delphina” como meta
Durante vistoria técnica realizada nesta semana, o Governo do Estado reforçou a intenção de replicar o modelo de gestão do Hospital Delphina Aziz no restante da rede. Isso inclui a modernização tecnológica, como o aparelho de raio-X que já chegou à unidade, e a organização do fluxo via Sistema de Regulação.
“O objetivo é reduzir as filas e fazer com que o paciente espere menos tempo para operar e, depois, tenha uma estrutura digna para continuar o tratamento sem precisar voltar para a porta do pronto-socorro”, destacou o governador Wilson Lima durante a inspeção.
Estrutura e Especialidades
A nova unidade não é apenas um anexo, mas um centro de suporte com:
Especialidades: Ginecologia, Mastologia, Ortopedia, Urologia, Clínica Geral, Anestesiologia e Cardiologia.
Suporte: Seis leitos, quatro consultórios multiprofissionais e sala de procedimentos invasivos.
Conforto: Uma recepção com capacidade para 70 pessoas, visando humanizar o tempo de espera.
O que muda na prática para o cidadão?
A partir da inauguração, o acesso será feito de forma agendada. O paciente não precisará mais “tentar a sorte” no pronto atendimento para demandas de média complexidade. Ele terá data e hora marcadas para consultar o especialista, realizar exames dentro do próprio complexo e definir os próximos passos do tratamento.
A entrega dessa etapa finaliza um pacote de modernização que já incluiu a reforma das redes elétrica e hidráulica do complexo e a implantação do sistema Fast Track, na tentativa de dar velocidade ao que antes era travado pela burocracia e pela falta de espaço físico.






