Manaus | 19 de outubro de 2026 | 18:33:34

Com aquecimento global, sistema elétrico está mais vulnerável ao clima

Em agosto, uma falha envolvendo parques eólicos e solares no Nordeste provocou um apagão em quase todo o Brasil. Dias depois, uma onda de calor tomou várias cidades, o que se repetiu com maior intensidade em novembro e também neste fim de semana. Na do mês passado, o consumo de energiabateu recorde dois dias seguidos, superando o patamar dos 100 gigawatts (GW).

Também em novembro, temporais severos afetaram as redes de distribuição de regiões metropolitanas como as do Rio e de São Paulo, deixando consumidores dias sem eletricidade. Os episódios mostram que o setor elétrico brasileiro está mais vulnerável aos fenômenos climáticos, que tendem a se intensificar com o aquecimento global.

De um lado, na geração, fontes renováveis intermitentes (que não são constantes) dependem da incidência de sol e da intensidade dos ventos. Do outro, tempestades e calorão afetam redes de distribuição e a demanda. Soma-se a isso, neste ano, o fenômeno El Niño, que agrava enchentes no Sul e seca no Norte.

Em entrevista, Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), diz que a robustez da rede, a intermitência das novas fontes e os eventos climáticos estão intimamente relacionados. Segundo ele, em alguns momentos, mais de 90% da geração elétrica no Brasil vêm de placas solares e aerogeradores.

— Há alguns anos, o setor elétrico não tinha nada a ver com o clima. Mudou tudo. Toda a discussão de transição energética vem do clima. A mudança climática instigou o mundo todo a buscar novas fontes de energia elétrica. Isso você percebe nas delegações na COP28 — diz Ciocchi, referindo-se à Conferência do Clima da ONU, em Dubai, onde participou de debates com operadores elétricos de outros países.

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