MANAUS (AM) – A gestão do prefeito Adail Pinheiro, em Coari, está no centro de dois escândalos simultâneos que envolvem indícios de fraude em licitação e alienação irregular de patrimônio público. Enquanto o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) suspende com urgência uma licitação milionária para aluguel de ambulâncias, o Ministério Público do Estado (MPAM) abre inquérito para investigar a possível venda ilegal de imóveis públicos no município.
Licitação sob suspeita: “jogo fechado”
A primeira bomba veio do TCE-AM. O conselheiro Ari Moutinho determinou a suspensão imediata do Pregão Presencial nº 42/2025, após detectar indícios graves de manipulação, ausência de publicidade e possível direcionamento do certame para empresas aliadas.
A licitação, orçada em valores consideráveis, previa a locação de ambulâncias e vans para o Hospital Regional e o SOS Urgência de Coari. Mas, segundo a Corte de Contas, a prefeitura escondeu o edital, divulgando apenas um aviso superficial — o que feriu diretamente a Lei 14.133/2021, que exige licitações eletrônicas, e comprometeu a competitividade do processo.
“Estamos diante de falhas gravíssimas, que podem causar danos irreparáveis ao erário”, alertou Ari Moutinho.
A empresa Localeve Serviços de Locação, que denunciou o esquema, foi enfática: “queriam fechar o jogo”. Em nota, a empresa afirmou que a omissão do edital foi uma manobra clara para impedir concorrência e beneficiar fornecedores já escolhidos.
O TCE deu à prefeitura um prazo de 15 dias para se explicar, mas o silêncio da gestão Adail até o momento só reforça as suspeitas. Se as irregularidades forem confirmadas, o prefeito e sua equipe podem enfrentar sanções administrativas, multas e até inelegibilidade.
Alienação de imóveis na mira do MP
Enquanto a licitação era desmontada pelo TCE, o Ministério Público do Amazonas instaurou um inquérito civil para apurar a legalidade na venda de imóveis públicos no município. A investigação corre pela 2ª Promotoria de Justiça de Coari, com base na Notícia de Fato n° 040.2024.000920.
A suspeita é que a prefeitura realizou alienações sem cumprir os trâmites legais previstos na Lei de Licitações, burlando etapas obrigatórias como avaliação prévia, autorização legislativa e ampla publicidade.
O promotor Bruno Escórcio Cerqueira Barros, responsável pelo caso, já requisitou da Câmara Municipal a entrega da Lei nº 12/73, que pode ter sido usada — ou desvirtuada — no processo de transferência de bens públicos.
“Estamos apurando se houve desvio no processo legal. Se confirmada a irregularidade, os responsáveis poderão ser acionados por improbidade administrativa”, declarou o promotor.
População indignada
A sequência de escândalos acendeu um alerta na cidade. Moradores ouvidos pelo A Repórter demonstraram revolta com os novos desdobramentos.
“Isso é um absurdo! Todo mundo sabe que esse tipo de manobra só serve pra desviar dinheiro público”, disparou o comerciante José Altenor, 45 anos.
Já o ambulante Franklin Rocha foi ainda mais direto: “A saúde da cidade tá abandonada, e eles preocupados em montar esquema pra desviar. Cadê a transparência? Cadê o respeito com o povo?”
Reputação em queda e confiança abalada
A gestão Adail Pinheiro, que já havia sido alvo de denúncias anteriores por falta de transparência em contratações, volta a ser questionada publicamente. Agora, com duas frentes de investigação simultâneas, a pressão aumenta — e a desconfiança popular cresce a cada silêncio institucional.
Procurada por nossa equipe, a Prefeitura de Coari não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
A pergunta que ecoa entre os coarienses é clara: até quando o patrimônio público será tratado como moeda de troca política?






