inco dos seis principais rios do Amazonas apresentaram, nesta semana, níveis acima dos registrados no mesmo período de 2024. O dado é de um levantamento feito pelo g1 com base no Painel de Monitoramento Hidrometeorológico da Defesa Civil do Amazonas. A cheia já levou dois municípios a decretarem situação de emergência: Humaitá e Boca do Acre.
Na terça-feira (25), os rios Negro, Solimões, Purus, Madeira e Amazonas estavam ao menos 1 metro acima do nível registrado no mesmo dia do ano passado. O destaque foi o Rio Purus, com um aumento de 5,44 metros em relação a 2024.
O único rio que ainda não superou o nível do ano passado é o Juruá, em Carauari, que está sete centímetros abaixo da marca de 2024.
Municípios em emergência
Em Humaitá, a prefeitura decretou emergência na quarta-feira (19). Na comunidade do Alto Crato, zona rural do município, a água invadiu estradas e dificultou o acesso às escolas.
“As crianças ficaram em casa já arrumadas e quando cheguei aqui vi que a gente não ia conseguir passar”, contou o vidraceiro Welton Soares.
A agricultora Léia Garcia, mãe de quatro jovens, relatou que a frequência escolar dos filhos é comprometida:
“Se for olhar, o calendário tem mais falta do que presença deles por conta do acesso. É bem difícil mesmo.”
Já em Boca do Acre, o rio começou a transbordar no dia 16 de março. A cheia atingiu mais de 2 mil famílias, levando a prefeitura a decretar situação de emergência no dia 24. Ações humanitárias incluem a distribuição de 1.200 cestas básicas e mais de 30 mil litros de água potável por dia.
Por que os rios estão subindo?
Pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apontam que o fenômeno climático La Niña é o principal responsável pelas chuvas acima da média na região. O efeito, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, intensifica as chuvas na Amazônia e em áreas de influência dos rios andinos no Peru e Bolívia.
“A gente teve no início de 2025 a atuação do efeito La Niña, coincidindo com o nosso período chuvoso. Toda a bacia amazônica teve chuvas acima da normalidade”, explicou o pesquisador Leonardo Vergasta, do Labclim/UEA.
O cenário contrasta com o ano anterior, quando o estado enfrentou uma das piores secas da história. Segundo os especialistas, mesmo com o aumento atual, não há previsão de cheia recorde em 2025.
“As inundações ocorrem de forma repentina, mas a expectativa é que as chuvas se concentrem mais ao norte da bacia em abril e comecem a recuar em maio”, completa Vergasta.





