Manaus | 4 de junho de 2026 | 14:22:42

Cientistas alemães anunciam 7º caso de cura provável do HIV

Nesta quinta-feira, cientistas alemães revelaram o sétimo caso de cura provável do HIV. Um homem de 60 anos foi submetido a um transplante de medula óssea para tratar leucemia, recebendo células de um doador com uma mutação genética que confere resistência ao vírus da AIDS. Essa nova estratégia utiliza a técnica CRISPR, uma espécie de “tesoura genética” que permite cortar e editar o DNA. 

Dentro desse contexto, o novo caso é visto como um avanço promissor por Christian Gaebler, do departamento de Doenças Infecciosas e Medicina de Cuidados Críticos do Charité. Ele considera o feito “extremamente surpreendente”:

“Aparentemente, a cura do HIV nesse caso não se deve apenas à presença da mutação CCR5 no doador, mas também ao fato de que as células imunes transplantadas eliminaram todas as células infectadas pelo HIV no paciente. Substituindo o sistema imunológico, conseguimos destruir todos os esconderijos do vírus, impedindo que ele infectasse as novas células imunes do doador”.

Esse tipo de tratamento não é viável em larga escala devido aos riscos do transplante, sua eficácia limitada e ao número escasso de doadores, especialmente que carreguem essa alteração específica no DNA. Mas pesquisadores ressaltaram que tem uma diferença no novo caso que pode impulsionar novos tratamentos em busca de uma cura global. Diferente dos casos anteriores, onde doadores tinham duas cópias da mutação, o novo paciente recebeu medula óssea de um doador com apenas uma cópia do gene mutante. Mesmo assim, ele alcançou a remissão do vírus. 

Olaf Penack, médico do Charité em Berlim, explicou que, embora o doador não fosse imune ao HIV, suas células possuíam uma versão normal e uma mutada do receptor CCR5. Sharon Lewin, presidente da Sociedade Internacional de AIDS, afirmou que isso é promissor para futuras terapias genéticas.

Pesquisadores estão explorando técnicas como CRISPR para remover o gene CCR5 das células de pessoas com HIV. Christian Gaebler, também do Charité, destacou que a eliminação do HIV pode ser atribuída à substituição completa do sistema imunológico do paciente, eliminando todas as células infectadas.

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