Em junho deste ano, mais de 77 mil brasileiras aguardavam para realizar uma mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), exame essencial para a detecção precoce do câncer de mama. Santa Catarina lidera o ranking nacional com 17.076 mulheres na fila de espera, seguida por São Paulo (15.062) e Rio de Janeiro (12.575). Juntos, esses três estados respondem por mais da metade do total de pacientes aguardando o exame. Os dados foram divulgados pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e refletem a sobrecarga do sistema público de saúde.
Além das longas filas, o tempo médio de espera é preocupante. Em estados como o Distrito Federal, onde 306 pacientes aguardam pelo exame, a média de espera chega a 81 dias, enquanto em Minas Gerais, com 2.231 mulheres na fila, o tempo médio é de 53,64 dias. Em Santa Catarina, que lidera em número de pacientes, a média de espera é de 35,88 dias.
A situação pode ser ainda mais grave, pois a fila oficial não representa toda a demanda por mamografias. Segundo o CBR, o Sistema de Regulação (SISREG) do Ministério da Saúde, responsável pelo registro das filas de espera, depende de dados fornecidos voluntariamente por secretarias estaduais e municipais de saúde. Em alguns casos, como no Distrito Federal, a diferença é alarmante: enquanto o sistema nacional registra 306 pacientes na fila, o Ministério Público local aponta que o número real é de cerca de 3,6 mil mulheres aguardando pelo exame.
Essa disparidade entre o número oficial e a realidade em campo ressalta a urgência de políticas que ampliem e descentralizem o acesso ao exame. Em relatório recente, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) alerta que longos períodos entre a solicitação do exame e a liberação do laudo desencorajam as mulheres a fazerem o rastreamento. Em 2023, apenas 48,8% dos laudos foram emitidos em até 30 dias, enquanto cerca de 36% demoraram mais de 60 dias.










