Manaus | 27 de julho de 2026 | 11:39:22

Celular tocando e piada de ministro rebaixam seriedade do STF

foto reprodução

O segundo dia do julgamento do núcleo 1 realizado nesta quarta-feira (03), teve um episódio que chamou atenção não pelo conteúdo jurídico, mas pelo tom quase cômico que se instaurou em um dos momentos mais sérios do país.

O advogado Andrew Fernandes Farias que representa o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira foi surpreendido pelo toque do próprio celular dentro do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino não perdeu a oportunidade de fazer uma piada: “Não esqueça de atender, era a sua sogra”, disse, arrancando ainda mais gargalhadas e quebrando o clima solene da sessão.

Mas o que, para alguns, pode parecer um “alívio cômico”, escancara um problema maior: a falta de compostura em um julgamento histórico.

Onde está a solenidade?

O STF é ou deveria ser o mais alto símbolo da justiça e da sobriedade institucional no país. É onde se decide o destino de figuras acusadas de conspirar contra o Estado democrático de direito. Portanto, qualquer comportamento que banalize esse espaço, seja o toque de um celular ou uma piada de cunho pessoal não deveria passar despercebido.

Claro, erros acontecem. Um celular que toca pode ser uma distração humana. Mas o que se faz depois disso importa. E, neste caso, a escolha de transformar o momento em piada, especialmente partindo de um ministro da Corte, rebaixa a autoridade do tribunal e desvia o foco do julgamento para o espetáculo.

Justiça não é entretenimento

Flávio Dino, recém-chegado ao STF e conhecido por sua retórica política afiada, já demonstrou grande domínio da cena pública. No entanto, há uma diferença entre carisma e teatralidade. O tribunal não é palco para sarcasmos ou gracejos, muito menos durante julgamentos que tocam o coração institucional do país.

Diante da gravidade dos crimes em julgamento, o mínimo que se espera é postura, atenção e respeito, tanto dos advogados quanto dos ministros. A Justiça precisa ser feita, mas também precisa parecer séria ao ser feita.

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