Manaus | 31 de outubro de 2026 | 02:08:43

Celular de Vorcaro registra centenas de alterações após entrar na custódia da PF

Uma perícia técnica contratada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro identificou alterações em arquivos do celular dele após a apreensão do aparelho pela Polícia Federal (PF). Os dados foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e levantam questionamentos sobre a preservação das provas digitais utilizadas na investigação.

Segundo o laudo, 999 arquivos teriam sido modificados depois que o telefone entrou sob custódia. Somente em 18 de novembro de 2025, um dia após a apreensão, foram registradas alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 itens.

Entre os pontos destacados está uma modificação no arquivo “ChatStorage.sqlite”, banco de dados responsável por armazenar o histórico de conversas do WhatsApp em aparelhos com sistema iOS. O registro teria ocorrido segundos depois de o celular estabelecer uma conexão por cabo USB.

A análise também identificou 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal relacionadas ao reconhecimento facial e quatro registros de criação ou alteração de senhas durante o período de custódia.

Outro dado apontado pelo perito é que 340 arquivos apresentavam datas de modificação em maio de 2026, quase seis meses depois da extração oficial realizada pela Polícia Federal, em novembro de 2025.

Diante dos registros, a defesa questiona a chamada cadeia de custódia, procedimento responsável por garantir a preservação e a rastreabilidade das provas durante uma investigação.

Os advogados solicitaram ao STF acesso aos dados brutos originais do aparelho para a realização de uma contraperícia. Também pediram a soltura imediata de Vorcaro.

Apesar das inconsistências apontadas, o próprio perito responsável pelo trabalho ressaltou que os registros técnicos, isoladamente, não comprovam adulteração humana intencional. Para uma conclusão definitiva, seria necessário aprofundar a análise dos dados originais, incluindo os códigos de verificação conhecidos como hash.

Em manifestações anteriores relacionadas ao caso, a Polícia Federal defendeu a integridade dos procedimentos adotados e afirmou que o material original permanece preservado sob os lacres da custódia oficial.

O caso envolve provas digitais consideradas relevantes para a Operação Compliance Zero. Os questionamentos apresentados pela defesa poderão ter impacto na discussão sobre a validade e a preservação dos elementos utilizados na investigação.

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