Uma perícia técnica contratada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro identificou alterações em arquivos do celular dele após a apreensão do aparelho pela Polícia Federal (PF). Os dados foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e levantam questionamentos sobre a preservação das provas digitais utilizadas na investigação.
Segundo o laudo, 999 arquivos teriam sido modificados depois que o telefone entrou sob custódia. Somente em 18 de novembro de 2025, um dia após a apreensão, foram registradas alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 itens.
Entre os pontos destacados está uma modificação no arquivo “ChatStorage.sqlite”, banco de dados responsável por armazenar o histórico de conversas do WhatsApp em aparelhos com sistema iOS. O registro teria ocorrido segundos depois de o celular estabelecer uma conexão por cabo USB.
A análise também identificou 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal relacionadas ao reconhecimento facial e quatro registros de criação ou alteração de senhas durante o período de custódia.
Outro dado apontado pelo perito é que 340 arquivos apresentavam datas de modificação em maio de 2026, quase seis meses depois da extração oficial realizada pela Polícia Federal, em novembro de 2025.
Diante dos registros, a defesa questiona a chamada cadeia de custódia, procedimento responsável por garantir a preservação e a rastreabilidade das provas durante uma investigação.
Os advogados solicitaram ao STF acesso aos dados brutos originais do aparelho para a realização de uma contraperícia. Também pediram a soltura imediata de Vorcaro.
Apesar das inconsistências apontadas, o próprio perito responsável pelo trabalho ressaltou que os registros técnicos, isoladamente, não comprovam adulteração humana intencional. Para uma conclusão definitiva, seria necessário aprofundar a análise dos dados originais, incluindo os códigos de verificação conhecidos como hash.
Em manifestações anteriores relacionadas ao caso, a Polícia Federal defendeu a integridade dos procedimentos adotados e afirmou que o material original permanece preservado sob os lacres da custódia oficial.
O caso envolve provas digitais consideradas relevantes para a Operação Compliance Zero. Os questionamentos apresentados pela defesa poderão ter impacto na discussão sobre a validade e a preservação dos elementos utilizados na investigação.






