Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:26:40

Caso Benício: médica usava carimbo de pediatra ilegalmente e deve responder por falsidade ideológica

O inquérito sobre a morte trágica do menino Benício Xavier, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, ganhou um rumo ainda mais grave. A médica Juliana Brasil, já investigada por homicídio doloso por dolo eventual após prescrever adrenalina pura na veia da criança, agora também pode responder por falsidade ideológica e uso de documento falso.

A acusação foi confirmada pelo delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), após a Polícia Civil concluir que Juliana Brasil estava se identificando como pediatra em carimbos e assinaturas, sem possuir o Título de Especialista (TEP) oficialmente reconhecido.

A identificação ilegal da especialidade

O delegado Martins explicou que a conduta da médica viola frontalmente as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proíbem o profissional de usar qualquer referência a uma especialidade que não possui.

“Nós realizamos um estudo a respeito da questão dela ter assinado a especialização pediatria no carimbo e ter assinado o nome dela com a expressão pediatria… [isso] configura o crime de falsidade ideológica e o uso de documento falso,” declarou o delegado.

A defesa da médica afirmou que, apesar de não ter o título, ela era formada desde 2019 e atuava na área, planejando realizar a Prova de Título (TEP) no mês de dezembro.

O risco e a tentativa de ocultação

Benício Xavier faleceu na madrugada do dia 23 de novembro. A investigação apura que a dose de adrenalina intravenosa e sem diluição foi o fator determinante para a morte.

Confissão Sob Dúvida: A médica chegou a admitir o erro em documentos, mas seus advogados alegam que a confissão ocorreu “no calor do momento”.

Enfermeiras Esconderam a Prescrição: Em um desdobramento chocante, duas profissionais de enfermagem, Francineide Macedo e Tabita Costa, relataram à polícia que esconderam a prescrição original da adrenalina para impedir que a médica Juliana Brasil a alterasse e atrapalhasse a apuração do caso.

Revogação do HC: A Justiça do Amazonas revogou o habeas corpus preventivo concedido à médica nesta sexta-feira (12).

O Hospital Santa Júlia, por sua vez, não se manifestou sobre a atuação de uma médica sem a especialidade oficial de pediatria em seu setor. A Polícia Civil continua colhendo evidências para fechar o inquérito e encaminhar o caso à Justiça.

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