Manaus | 4 de junho de 2026 | 08:55:19

Caso Benício ganha reviravolta: delegado pede prisão da médica, mas Justiça barra ação

Benício Xavier, de 6 anos, faleceu em hospital de Manaus. Foto: reprodução das redes.

O Caso Benício, que vem gerando forte comoção em Manaus, teve uma nova reviravolta nesta sexta-feira (28). O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito que apura a morte do menino Benício Xavier, afirmou considerar necessária a prisão preventiva da médica Juliana Brasil Santos, investigada pelo caso. No entanto, a Justiça já havia impedido qualquer possibilidade de detenção.

A desembargadora Onilza Abreu Gerth, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), concedeu à médica um salvo-conduto que impede pedidos de prisão preventiva e também proíbe mandados de busca e apreensão durante o curso da investigação. De acordo com informações apuradas por A Crítica, o delegado havia solicitado a prisão preventiva ainda na quarta-feira (26), um dia antes de a decisão judicial ser emitida.

O salvo-conduto foi assinado na quinta-feira (27), mas sua publicação ocorreu apenas na manhã desta sexta-feira, quando a médica compareceu ao 24º Distrito Integrado de Polícia para prestar depoimento. Ela chegou por volta das 9h, acompanhada da técnica de enfermagem envolvida no atendimento à criança e de seus advogados.

Durante a oitiva, o delegado Marcelo Martins voltou a defender que a prisão preventiva seria a medida mais adequada diante da gravidade do caso. Ele declarou: “Se ela não verificou a prescrição em relação a uma criança de 6 anos, gerando o resultado morte, quem me garante que não fará isso de novo em outro hospital?” Apesar da posição firme, o delegado reconheceu que a decisão final cabe ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

A Defesa da médica

A defesa da médica rebate as acusações e sustenta que houve erro de terceiros. Segundo os advogados, Juliana prescreveu adrenalina para ser usada por nebulização, mas a administração intravenosa teria sido feita por um técnico de enfermagem. A equipe de defesa aponta ainda falhas no sistema do hospital, que teria modificado automaticamente o nome do médico responsável na prescrição. Eles afirmam também que a médica tentou reverter o quadro clínico ao solicitar propranolol e acompanhar a criança até a UTI. Um laudo psiquiátrico indicando abalo emocional significativo da profissional também foi anexado e considerado pela desembargadora ao conceder o salvo-conduto.

A Polícia

A Polícia Civil, por outro lado, trabalha com a conclusão preliminar de que Benício sofreu uma overdose de adrenalina, o que teria provocado pelo menos seis paradas cardíacas antes da morte. Profissionais experientes consultados pela investigação afirmam que não existe um antídoto específico para esse tipo de situação, contrariando a interpretação da defesa sobre o uso de propranolol.

Os investigadores ainda buscam esclarecer quantas doses foram aplicadas, quem exatamente administrou o medicamento e de que forma ocorreu o erro. O Hospital Santa Júlia forneceu imagens internas do atendimento, que estão sendo analisadas. A expectativa da Polícia Civil é concluir o inquérito em menos de 30 dias.

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