Manaus | 4 de junho de 2026 | 08:53:04

Câncer infantil: Brasil pode atingir 8 mil novos casos anuais

Foto: Reprodução


O Brasil deve registrar cerca de 7.930 novos casos anuais de câncer em crianças e adolescentes de até 19 anos entre 2023 e 2025, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A previsão, divulgada no Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, celebrado neste sábado (23), corresponde a um risco de 134,81 casos por milhão de jovens nessa faixa etária.

De acordo com os dados, os meninos representam a maioria dos diagnósticos, com 4.230 casos previstos por ano, enquanto entre as meninas são esperados 3.700 casos anuais. O câncer pediátrico responde por cerca de 3% do total de casos oncológicos registrados no país.

Apoio e tratamento em crescimento
Os números do Ministério da Saúde mostram que os procedimentos para tratar câncer infantil no Sistema Único de Saúde (SUS) vêm aumentando. Cirurgias passaram de 10.108 em 2021 para 10.526 em 2023. Já os tratamentos de quimioterapia cresceram de 16.059 para 17.025 no mesmo período.

Para a médica Arissa Ikeda Suzuki, do setor de Oncologia Pediátrica do Inca, o aumento de diagnósticos reflete avanços na tecnologia e maior capacitação dos profissionais de saúde. “Apesar do aumento dos casos, temos observado um progresso significativo nas taxas de cura, que hoje chegam a 80% no Brasil”, afirma.

Os tumores mais comuns
Entre as crianças, leucemias, tumores do sistema nervoso central e linfomas lideram a lista. Já em adolescentes, linfomas, carcinomas (como de mama e tireoide) e tumores de células germinativas são os mais frequentes.

Desafios e sinais de alerta
O diagnóstico precoce ainda é um desafio devido aos sintomas inespecíficos, como anemia, cansaço e hematomas, no caso das leucemias, ou nódulos na região cervical para os linfomas. Tumores cerebrais podem causar cefaleia persistente, vômitos e alterações motoras.

Embora o câncer seja a principal causa de morte por doença em jovens de 1 a 19 anos, avanços tecnológicos e campanhas de conscientização vêm contribuindo para melhores prognósticos. Nos países desenvolvidos, a taxa de cura atinge 85%, enquanto no Brasil está próxima de 80%.

“Com o fortalecimento da rede pública e o treinamento dos profissionais, a identificação precoce tem sido mais eficaz, favorecendo o encaminhamento para centros especializados”, reforça a médica.

O Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil foi instituído em 2008 para conscientizar sobre a importância da detecção precoce e do suporte integral às famílias, que enfrentam uma jornada desafiadora, mas cada vez mais amparada pela ciência e pela rede de apoio.

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