Em meio à sensação térmica de 58,5ºC registrada na terça-feira, cariocas decidem trocar o home office pelo escritório.
Com sensação térmica recorde de 58,5ºC, o calor no Rio de Janeiro acabou servindo de estímulo para o retorno ao trabalho presencial. Algumas empresas que adotam um modelo de trabalho híbrido registraram um aumento de funcionários nos escritórios, mesmo em uma véspera do feriado de 15 de novembro. E o motivo é um só: o ar-condicionado.
O aparelho se tornou até tema de conversas daqueles que vivem uma “guerra” para definir se aumenta ou reduz a temperatura do ar. “Hoje eu vou sair do escritório com dor de garganta e feliz”, escreveu a coordenadora de marketing Mariana Alves, de 39 anos, em um grupo com colegas da empresa, ao comemorar o trabalho presencial.
Ela chegou a lamentar o feriado de hoje e não descarta ir presencialmente na sexta-feira, dia que, normalmente, trabalha em home office:
— Não é uma má ideia trabalhar sexta-feira daqui (escritório). Eu tô até triste de amanhã ser feriado, porque em casa vai estar muito calor.
Mariana trabalha na gravadora Sony, que na terça-feira registrou a presença de cerca de 70 de seus 100 funcionários no escritório em Botafogo, na Zona Sul do Rio. A empresa funciona em um sistema híbrido, com dois dias presenciais e três remotos, mas em vésperas de feriado normalmente o home office é liberado, e o escritório fica praticamente vazio.
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Para alguns trabalhadores, a onda de calor tornou a ida ao escritório sinônimo de bem estar e economia. É o caso do estagiário de comercial Joilson Junior, de 26 anos, que viu o consumo de energia em sua casa dar um salto, com a conta de luz atingindo R$ 600:
— O ar-condicionado é um fator para vir pro trabalho presencialmente. Esses dias estava comentando “que bom que vou pro escritório por conta do ar”.
O calorão também levou ao escritório os funcionários da marca de dermocosméticos Pierre Fabre Brasil, na Barra da Tijuca. Lá, dos 120 funcionários que trabalham no local, cerca de 80 estiveram presentes. O número é observado desde a última semana, quando as temperaturas começaram a subir.
— A gente naturalmente tem uma ocupação no meio da semana, mas, por conta do calor a ocupação está muito maior de segunda a sexta-feira — conta a diretora de Recursos Humanos da Pierre Fabre Brasil, Renata Mallet.
Depois da pandemia, período em que parte da mão de obra se acostumou com o home office e preferiu a experiência de compartilhar moradia e trabalho em um mesmo ambiente, muitos escritórios reviram seu planejamento e reduziram a capacidade. O resultado é que, para fugir do calor, foi dada a largada pela disputa por uma mesa.
É o caso da Pierre Fabre. Para trabalhar presencialmente, os funcionários da empresa precisam acessar um aplicativo e reservar uma mesa. Apesar de possuir 120 funcionários, o local tem um limite de 80 estações de trabalho. Por isso, para ir ao escritório é preciso se planejar e agendar.
Foi o que fez a gerente de produtos Avène, Caroline Morgado, de 29 anos, que reservou uma mesa para esta semana. Por conta das altas temperaturas, ela já quer até se garantir para a semana que vem:
— O ar-condicionado aqui funciona que é uma beleza, à noite faz até frio. Como eu sinto muito calor, prefiro até uma mesa próxima a uma saída de ar. Ninguém gosta de trabalhar suando o dia todo.





