Manaus | 23 de julho de 2026 | 18:33:08

Burnout ou Menopausa? Como identificar e lidar com os sintomas

Cansaço extremo, alterações de humor, dificuldade de concentração e noites mal dormidas. Esses sintomas, frequentemente associados ao esgotamento profissional, podem ser indicativos de algo além do burnout para mulheres a partir dos 40 anos: a menopausa. Essa fase de transição, conhecida como climatério, impacta profundamente o corpo e a mente, muitas vezes coincidindo com o auge da carreira profissional.

Foi o que aconteceu com Marina Santos, psicóloga de 46 anos, que enfrentou noites em claro, lapsos de memória e uma sensação de esgotamento constante. “Cheguei a questionar se ainda amava minha profissão ou se estava apenas sobrecarregada. Não sabia que os sinais estavam ligados à pré-menopausa”, relembra. Após buscar ajuda médica, ela descobriu que as mudanças hormonais dessa fase estavam por trás de muitos dos seus sintomas.

Os desafios do climatério no trabalho

O climatério, período de transição da vida reprodutiva para a não-reprodutiva, geralmente começa por volta dos 40 anos e pode se estender até os 65. Para muitas mulheres, essa fase coincide com grandes responsabilidades no trabalho, como liderar equipes, gerenciar projetos e tomar decisões estratégicas, enquanto enfrentam sintomas como cansaço extremo, alterações de humor e ansiedade.

Um estudo da Plenapausa, femtech brasileira especializada na saúde da mulher, revelou que 91% das brasileiras na menopausa relatam cansaço extremo, 89% enfrentam mudanças de humor e 82% lidam com ansiedade ou depressão. Esses sintomas afetam diretamente a produtividade e a confiança profissional, mas são frequentemente ignorados ou mal interpretados.

“Alterações de humor podem dificultar a comunicação no ambiente de trabalho, enquanto a falta de clareza mental compromete o desempenho”, explica Ana Luiza Vasconcellos, cofundadora da Plenapausa. Apesar desses desafios, poucas empresas no Brasil possuem políticas específicas para apoiar mulheres nesse período.

Burnout ou Menopausa? Como diferenciar

Os sintomas do burnout – esgotamento emocional, perda de motivação e sensação de sobrecarga – são semelhantes aos da menopausa, mas é possível diferenciá-los. Segundo a ginecologista Letícia Moura, ondas de calor, ressecamento vaginal e irregularidade menstrual são sinais específicos da menopausa.

“O diagnóstico correto é crucial. Enquanto a menopausa pode ser gerenciada com reposição hormonal e mudanças no estilo de vida, o burnout exige mudanças no ambiente profissional e suporte psicológico”, esclarece a médica. Ferramentas como o Índice de Kupperman ajudam a identificar os sintomas da menopausa e direcionar para o tratamento adequado.

Mudanças necessárias no ambiente de trabalho

Em países europeus, empresas já adotam medidas para apoiar mulheres na menopausa, como horários flexíveis, programas de bem-estar e licenças específicas. No Brasil, entretanto, o tema ainda é um tabu. “Muitas mulheres enfrentam essa fase em silêncio, temendo serem vistas como menos produtivas ou incapazes”, comenta Mariana Cunha, especialista em saúde da mulher.

Essa falta de diálogo reflete na saúde das colaboradoras e na produtividade das empresas. Especialistas defendem que criar um ambiente acolhedor, com adaptações como pausas durante o expediente, pode fazer toda a diferença.

Como lidar com a menopausa no trabalho

Para atravessar essa fase de forma saudável, algumas medidas práticas podem ajudar:

  • Consultas médicas regulares: Avaliar a necessidade de reposição hormonal e outros tratamentos.
  • Mudanças no estilo de vida: Práticas como yoga, meditação e exercícios físicos ajudam a aliviar os sintomas.
  • Comunicação aberta: Conversar com gestores sobre necessidades específicas, como ajustes de horário.
  • Busca por apoio: Redes de apoio e grupos de discussão sobre menopausa podem promover trocas valiosas de experiências.

“Manter-se ativa e buscar suporte adequado faz toda a diferença. A menopausa não precisa ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade para repensar prioridades e cuidar mais de si mesma”, reforça Letícia Moura.

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