Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (28), em Adis Abeba, na Etiópia, durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares. A boa notícia é que, de acordo com os dados mais recentes, menos de 2,5% da população brasileira está em risco de desnutrição, o que tira o país da zona de insegurança alimentar grave.
O levantamento foi feito pela FAO, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura, com base nos dados médios de 2022 a 2024. É a segunda vez que o Brasil sai do mapa. A primeira foi em 2014, mas o país havia retornado em 2022, com o aumento da fome durante a pandemia e a crise econômica.
Mas apesar do avanço em nível nacional, a realidade no Amazonas ainda traz desafios.
Fome ainda presente em comunidades do interior
Em muitas regiões do estado, especialmente no interior e em áreas ribeirinhas, o acesso a alimentos continua limitado. O transporte difícil, os preços altos nos mercados locais e a falta de infraestrutura afetam diretamente a alimentação das famílias.
“Aqui no rio, a gente come o que planta, pesca ou troca com os vizinhos. Mas nem sempre tem tudo. Arroz e feijão são caros e às vezes falta”, contou dona Iracema, moradora da zona rural de Manacapuru.
Segundo dados da Rede PENSSAN, o Amazonas ainda tem uma das maiores taxas de insegurança alimentar moderada e grave do país, especialmente entre famílias indígenas, ribeirinhas e periféricas.
Produzimos muito, mas nem todos se alimentam bem
O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas isso não significa que toda a população tenha acesso à comida de qualidade. No Amazonas, por exemplo, há regiões com grande produção agrícola, mas que ainda enfrentam o que os especialistas chamam de desertos alimentares, locais onde falta oferta de alimentos saudáveis e acessíveis.
A agricultura familiar e os programas de compra direta de alimentos têm ajudado a reduzir esse cenário, mas ainda há muito a ser feito.
Combate à fome depende de políticas públicas constantes
Programas sociais como o Bolsa Família, a merenda escolar regular, o acesso à água potável e a valorização da agricultura local são apontados como essenciais para manter o Brasil fora do Mapa da Fome.
Especialistas reforçam que sair do mapa é importante, mas o desafio agora é garantir comida de verdade todos os dias, na mesa de todas as famílias brasileiras, especialmente as mais vulneráveis.
O Brasil saiu do Mapa da Fome, mas será que todos os brasileiros saíram com ele? Enquanto os dados nacionais melhoram, o Norte ainda convive com escassez, abandono e pratos vazios. A fome pode ter saído do papel, mas segue viva nas periferias e nos becos do país.





