Manaus | 20 de agosto de 2026 | 03:39:28

Brasil bate recorde na exportação de café em 2024

O Brasil estabeleceu um novo recorde na exportação de café em 2024, com o embarque de 46,399 milhões de sacas de 60 kg até novembro. O volume supera em 3,78% o maior registro anterior, de 44,707 milhões de sacas exportadas em 2020. O desempenho, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), foi impulsionado por um crescimento de 5,4% nas exportações de novembro em comparação ao mesmo mês de 2023, quando o país vendeu 4,42 milhões de sacas para o exterior. Com o aumento das vendas, o setor também alcançou um salto significativo na receita cambial.

Apenas em novembro, as exportações geraram US$ 1,343 bilhão, valor 62,7% superior aos US$ 825,7 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a novembro, o país faturou US$ 11,3 bilhões, um crescimento de 22,3% em relação aos US$ 9,24 bilhões arrecadados no mesmo período de 2023.

Principais mercados e espécies exportadas Os Estados Unidos lideraram as compras de café brasileiro em 2024, importando 7,419 milhões de sacas, seguidos pela Alemanha (7,228 milhões), Bélgica (4,070 milhões), Itália (3,702 milhões) e Japão (2,053 milhões). No entanto, o volume enviado ao mercado japonês registrou uma leve queda de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O café arábica manteve sua posição de destaque nas exportações, com 33,97 milhões de sacas embarcadas até novembro, um aumento de 23,2% em relação a 2023 e o maior volume da história para o período. O café canéfora (conilon + robusta) também contribuiu para o desempenho positivo. Os cafés de qualidade superior ou certificados por práticas sustentáveis representaram 17,5% do total exportado, com 8,112 milhões de sacas – uma alta de 33,5% em comparação aos 11 primeiros meses do ano anterior. O preço médio desse segmento foi de US$ 269,41 por saca, gerando uma receita de US$ 2,185 bilhões, ou 19,3% da receita total.

Desafios logísticos Apesar do desempenho histórico, o Cecafé destacou que gargalos logísticos continuam sendo um obstáculo para o setor. “Na teoria, ao analisarmos a performance das exportações brasileiras de café, teríamos motivos somente para comemorar, mas a realidade é um pouco mais cruel”, afirmou Márcio Ferreira, presidente da entidade, em nota.

Segundo Ferreira, os exportadores têm enfrentado custos adicionais elevados devido à falta de infraestrutura, especialmente nos portos, para atender à demanda crescente. A criatividade e o profissionalismo dos exportadores têm sido determinantes para garantir o cumprimento dos compromissos internacionais, mesmo diante das limitações estruturais do Brasil.

Com o setor em alta, o Brasil reforça sua posição como maior exportador global de café, mas os desafios internos indicam a necessidade de melhorias para sustentar o crescimento nos próximos anos.

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