Um áudio que seria supostamente de uma professora, fala claramente que a greve dos professores, prestes a completar um mês, foi usada pelo PCdoB para tentar cargos no governo. À imprensa, o governador Wilson Lima declara que a paralisação dos educadores é mantida pelo máximo de tempo possível, devido interesses partidários e pede que os professores voltem para as salas de aula.
Um áudio que circula nas redes sociais revela que o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Amazonas (Sinteam) teria usado a greve dos professores para tentar negociar cargos para integrantes do PCdoB no Governo do Amazonas. No áudio, uma professora diz que grande parte dos professores já decidiu voltar à sala de aula porque não querem ser “massa de manobra”.
“…quem tava por trás deles era a Vanessa Graziottin, que estava, na verdade em busca de cargos no governo”, diz um trecho do áudio que revela que, por esse motivo, Ana Cristina presidente do Sinteam, não quis unificar o movimento grevista como pedia a Asprom Sindical.
“Então muitos professores já sabem dessa informação e não querem ser massa de manobra do Cléber e da Ana Cristina, que não quis unificar os movimentos porque ela quer respeitar o partido dela e o partido dela disse que não era pra ela unificar os movimentos. Então muitos professores estão voltando pra sala de aula e vão enfraquecer o movimento. Muito provavelmente na terça-feira nossa greve vai acabar”, diz a professora.
PCdoB
Rejeitado nas urnas nas últimas eleições, o PCdoB é um aliado de longa data do Sinteam e precisa de sobrevivência política no Amazonas. A presidente do Sinteam, Ana Cristina, em matéria recente publicada no site do partido, chegou a ser convidada para mesa de honra ao lado de dirigentes da sigla.
Pronunciamento do governo
O governador lamentou os danos ocasionados pela greve dos professores e reafirmou que o diálogo com a categoria permanece aberto, como esteve desde o início do ano. “Lamento o prejuízo que alunos, pais e professores estão tendo. Logo que houve um movimento por parte dos sindicatos, nós abrimos diálogo. Determinei que o secretário de Educação, Luiz Castro, os recebessem, assim aconteceu. Da mesma forma que foram recebidos pelo secretário de Fazenda, Alex Del Giglio, e pelo vice-governador, Carlos Almeida. Preciso e vou sentar com os professores para que nós possamos negociar, para que nós possamos conversar e encontrar caminhos para melhorar a educação. Mas eu preciso que os professores retornem à sala de aula, porque a greve não beneficia ninguém”, frisou Wilson Lima.
De acordo com o governador Wilson Lima, os esforços para garantir progressos à educação do Amazonas continuarão sendo feitos. “E eu, enquanto governador, não vou permitir que interesses político-partidários estejam acima de um assunto tão sério, de uma prioridade, que é a educação do Estado do Amazonas. E aqui quero reconhecer e agradecer o empenho dos professores e trabalhadores em educação que continuaram trabalhando e que entendem que é através do diálogo que se pode conseguir construir as conquistas da categoria”, afirmou.
Wilson Lima informou que vai encaminhar para a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) Projeto de Lei com a reposição salarial da data-base dos profissionais da educação, que será de 4,73%, conforme a contraproposta apresentada aos sindicatos da categoria na semana passada. Além disso, o governador assegurou que vai começar a pagar progressões de carreira horizontais e verticais, dobrar o valor do auxílio localidade e ampliar, reajustar o auxílio alimentação e ampliar o vale-transporte dos professores que cumprem 40 horas.
O anúncio foi feito em pronunciamento para a imprensa na Sede do Governo, zona oeste de Manaus, na tarde dessa segunda-feira (13), com a presença do secretário de educação, Luiz Castro.
No limite
Wilson Lima destacou que o Estado chegou ao limite máximo do que pode oferecer à categoria em 2019, sob pena de comprometer todo o funcionalismo público. O Governo do Estado já havia honrado com pagamento da reposição salarial de 9,38% em janeiro, referente à data-base que não havia sido paga em 2016.
“Com esse reajuste que vamos garantir agora, chega a 14%. Diferente, por exemplo, de outras categorias. A Polícia Militar, por exemplo, a data-base deve ser cumprida em agosto, de acordo com a conversa que nós tivemos. Da mesma forma que conversamos com policiais civis e estamos conversando também com outras categorias, para que todos os servidores possam ser contemplados, dentro das limitações do Governo do Estado”, enfatizou. O cumprimento do escalonamento da data-base pago em janeiro tem impacto direto no orçamento do Estado deste ano.
O Amazonas já atingiu o limite máximo de gastos com pessoal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em abril, esse gasto atingiu 50,98% da Receita Corrente Líquida do Estado, superando o limite máximo de 49%. Nesta sexta-feira (10/05), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) emitiu alerta para o Governo do Amazonas para que observe o limite de gastos imposto pela legislação.
Omar entra em defesa do governador
De acordo com informações fornecidas pelo BNC, logo após participar de audiência pública sobre a reforma da Previdência nesta segunda-feira, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM). O senador Omar Aziz (PSD) responsabilizou os ex-governadores José Melo (sem partido), David Almeida (PSB) e Amazonino Mendes (PDT) pela greve dos professores da rede estadual que está prestes a completar um mês.
“Infelizmente, os governadores que antecederam o Wilson Lima (PSC) não cumpriram com o seu dever. Depois que eu saí do governo, não se cumpriu mais as datas-bases, se acumularam e agora estão colocando tudo em cima do [atual] governador”, disse o senador.
Omar afirmou que quando foi governador “não enfrentou greve de categorias”. E disse ainda que alertou os professores quando David Almeida, então governador interino, anunciou o pagamento do abono com recursos do Fundeb.
“Em vez de se pagar data-base, se pagou [abono salarial com] Fundeb. E eu avisava aos professores que, naquele momento, era mais importante exigir que se pagasse a data-base, do que colocar um recurso grande. Porque o reajuste que eles têm hoje, vai para aposentadoria de cada professor. O Fundeb não, mas eu vi aplaudir ali quem fez isso, e tá aí a situação”, criticou.
AspromSindical se pronuncia
Após o pronunciamento do governo e a repercussão do áudio, o sindicato dos professores e pedagogos de Manaus enviam nota à impressa negando qualquer associação partidária e anunciando que na próxima terça-feira (14), em frente a Arena Amadeu Teixeira, às 8hs da manhã, dará uma entrevista coletiva sobre as declarações do Governador. O sindicato informa ainda que na quarta-feira (15), irá realizar sua Assembléia Geral para analisar e deliberar sobre a contraproposta do Governo.





