Grupos favoráveis e contrários ao presidente disputavam a utilização da avenida no feriado nacional. Temendo a segurança do evento, governo paulista deu preferência ao grupo que reservou a data primeiro.

O governo de São Paulo definiu neste domingo (22) que a avenida Paulista será ocupada apenas por movimentos de apoio a Jair Bolsonaro no dia 7 de setembro. Grupos favoráveis e de oposição ao presidente disputavam a utilização do local no feriado nacional.

Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o governo paulista julgou que não seria seguro permitir que os dois lados se manifestassem no mesmo dia e deu preferência aos bolsonaristas, que haviam solicitado primeiro a reserva da data às autoridades. Além disso, há uma decisão judicial que veda a presença de “movimentos ideologicamente opostos na via”, para evitar confrontos. Os grupos de esquerda que fazem oposição ao governo poderão se manifestar no dia 12 de setembro, quando já estava agendado um ato contra Bolsonaro organizado pelos movimentos MBL (Movimento Brasil Livre) e VPR (Vem Pra Rua) e por líderes de partidos como Novo e PSL.

Também no domingo, o ex-comandante da Rota e atual diretor-presidente da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), Ricardo Nascimento de Mello Araújo, publicou um vídeo nas redes sociais convocando policiais militares “veteranos” para os protestos do dia 7 de setembro. No vídeo, Mello Araújo afirma que é preciso ir às ruas para “ajudar” Bolsonaro. A inteligência da Polícia Civil paulista demonstra preocupação com a possibilidade de parte dos manifestantes irem armados à Avenida Paulista.

Os atos bolsonaristas de 7 de Setembro são acompanhados com apreensão. Na sexta-feira (20), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra organizadores das manifestações que incitavam a violência contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Na mesma data, Bolsonaro apresentou um pedido de abertura de processo contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que autorizou a operação da Polícia Federal contra seus apoiadores e é relator de uma série de inquéritos que emparedam o presidente. O presidente vive um momento de pressão, sob investigações contra si e seu entorno por ameaças à democracia e lidando com reações institucionais ao seu pedido contra Moraes.

Fonte: Nexo