Manaus | 24 de julho de 2026 | 22:58:40

Atleta paralímpica escolheu ficar paraplégica para seguir com a gravidez da filha

Mônica Santos, 41, é uma atleta paralímpica brasileira que se destaca na esgrima em cadeira de rodas. Ela é a primeira mulher brasileira a conquistar um ouro no florete no Regional das Américas em 2015 e é uma das grandes esperanças de medalha para o Brasil nas competições internacionais. Sua trajetória, marcada por coragem e resiliência, inspira muitos.

A história de Mônica começou de forma inesperada em 2002, quando, aos 19 anos, ela começou a sentir uma perda de movimento nas pernas. “Eu estava já casada, tentando ter filhos. Um dia, ao tentar levantar da cama, percebi que não conseguia. Aí comecei a rir e a dizer para meu marido que algo estava errado, mas ele me ajudava e nada funcionava”, recorda Mônica em uma entrevista exclusiva à CRESCER.

Preocupados, Mônica e seu marido buscaram atendimento médico em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul. Inicialmente, os médicos suspeitaram de anemia, mas, sem uma explicação concreta, decidiram buscar uma segunda opinião em Porto Alegre. Lá, Mônica descobriu que estava grávida, uma notícia que trouxe uma mistura de emoções: “Eu estava sem andar e sem saber o que estava acontecendo, mas estava mega feliz por estar grávida.”

A gravidez revelou um angioma medular, uma malformação vascular que estava comprimindo sua medula espinhal. Mônica teve que esperar até completar quatro meses de gestação para fazer um exame mais detalhado que confirmaria o diagnóstico. Os médicos explicaram que, para tratar a condição e permitir que Mônica voltasse a andar, seria necessária uma cirurgia que implicaria na interrupção da gravidez. Mônica decidiu não seguir essa recomendação. “Dentro de mim, essa opção não existia. Pedi a Deus para que minha filha nascesse com saúde e aceitei o que viesse acontecer comigo”, destaca.

Durante a gravidez, Mônica fez acompanhamento rigoroso com os médicos e precisou manter repouso absoluto em casa, com o apoio constante de seu marido, que a ajudava a se mover e a realizar tarefas básicas. “Eu ficava na cama a maior parte do tempo. Com uma cadeira de escritório de três rodas, meu marido me ajudava a tomar banho, comer e sair um pouco da cama”, conta.

Quando chegou o oitavo mês de gestação, Mônica deu à luz sua filha Paolla, que nasceu saudável. “Foi a sensação mais linda e emocionante do mundo. Ver minha filha nascer perfeita de saúde foi um milagre. Às vezes, não damos tanto valor, mas só posso expressar gratidão a Deus”, comemora Mônica.

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