O ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio Neto voltou a movimentar os bastidores da política local com um gesto que, para muitos, soa como um claro sinal de que pretende disputar novamente uma vaga no Senado em 2026. Segundo apuração do Blog do Botelho, Arthur deve se filiar ao Republicanos, após uma reunião com o deputado federal Silas Câmara, presidente estadual da sigla. O detalhe que mais chamou atenção não foi o encontro em si — comum em tempos de articulação —, mas o fato de ele ter sido publicado nas redes sociais, com direito a marcação do ex-prefeito. O gesto foi visto como simbólico e proposital: uma sinalização pública de que a construção de sua candidatura já está em andamento.
Fora dos holofotes desde sua derrota em 2022, quando obteve pouco mais de 9% dos votos para o Senado e enfrentou forte desgaste por sua última gestão como prefeito da capital, Arthur agora parece buscar reposicionamento. Mais do que uma simples troca de legenda, a possível filiação ao Republicanos representa uma tentativa de se aproximar do eleitorado conservador, com quem tem ensaiado uma reconexão. Nos últimos tempos, ele passou a criticar com veemência o ativismo judicial do Supremo Tribunal Federal e também o governo Lula, assumindo posturas que o colocam mais à direita do espectro político.
A relação com o Republicanos, no entanto, é delicada. Silas Câmara, que articula a entrada de Arthur, também tem mantido uma linha de diálogo com os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz — dois nomes fortes para 2026 e adversários históricos de Arthur. Essa costura revela um xadrez político ainda em formação, onde alianças improváveis parecem ser parte da estratégia.
Arthur também já flertou com o bolsonarismo. Elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro, conversou com ele, mas preferiu não se filiar ao PL, sinalizando que deseja preservar certa autonomia dentro da direita. A escolha pelo Republicanos pode lhe oferecer uma estrutura partidária com menos polarização e mais margem de articulação.
Enquanto isso, o cenário para o governo do Amazonas em 2026 começa a ganhar forma. David Almeida e Omar Aziz aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas mais recentes, enquanto a empresária Maria do Carmo Seffair (PL) avança com força, já alcançando 25% em alguns cenários. A alta rejeição dos principais nomes sugere um ambiente propício para surpresas e candidaturas alternativas — e é nesse terreno instável que Arthur parece querer plantar sua volta.
Seu maior desafio, no entanto, será reconquistar a confiança de um eleitorado que não esqueceu os desgastes do passado e que, cada vez mais, exige coerência, clareza e firmeza. O tempo de ensaios acabou — e, para Arthur, o retorno ao jogo exigirá mais do que currículo: vai exigir reconexão com a realidade política de um novo Amazonas.





