A madrinha de Rodrigo, bebê que tem agora dez dias, contou como foi quando a mãe percebeu que o filho tinha problemas graves.

“Foi quando os clínicos colocaram o recém-nascido no peito da mãe que ela viu que algo não estava bem. O bebê não tinha rosto, relatou Tânia Contente, madrinha da criança”.

Instantes depois, disse ao pai da criança, que assistiu ao parto no Hospital de São Bernardo: “David, o nosso filho não tem nariz. E a partir daí foi o pânico geral dentro daquela sala de parto”, contou, Tânia Contente, em entrevista na TV.

“De imediato” – relatou – “os colegas que estavam na sala a fazer o parto mandaram chamar o doutor Artur Carvalho, porque ele estava trabalhando nessa noite no hospital. Apresentou as suas desculpas e disse que efetivamente tinha cometido um erro”.

A mãe do bebê realizou ecografias durante a gravidez, e o obstreta responsável não apontou qualquer malformação no feto. Porém, em exame realizado em outra clínica, os pais foram alertados. Confrontado com essa possibilidade, o obstreta garantiu que estava tudo bem.

“O meu afilhado tem lesões gravíssimas que impedem qualquer hipótese de autonomia e que ele possa ter um crescimento normal”, lamentou a familiar.

Bebê nasceu sem olhos, nariz e parte do crânio. Médico que acompanhou gravidez dizia estar tudo bem

Um médico que acompanhou uma grávida cujo bebé nasceu sem olhos, nariz e parte do crânio têm quatro processos em instrução na Ordem, segundo declarações de uma fonte oficial da instituição à agência Lusa. O especialista já tinha sido acusado, em 2011, de um caso com contornos semelhantes mas que acabou por ser arquivado

O caso ocorreu no passado dia 7, no Hospital de São Bernardo, avançou o Correio da Manhã. A mãe do recém-nascido realizou diversas ecografias durante a gravidez, numa clínica privada, em Setúbal, sempre com o mesmo obstetra, Artur Carvalho. Nunca foi reportada qualquer malformação do feto aos pais.

Num exame feito noutra clínica, uma ecografia 5D, os pais foram avisados para a possibilidade de haver malformações e decidiram questionar o obstetra que acompanhava a gravidez sobre a situação. O médico garantiu-lhes que estava tudo bem, de acordo com a madrinha de Rodrigo.

Apesar de os especialistas terem dado apenas horas de vida ao bebé, Rodrigo completa esta quinta-feira 10 dias. Os pais apresentaram queixa contra o médico no Ministério Público e o Hospital São Bernardo também abriu um inquérito para investigar o caso.

Artur Carvalho trabalha no Hospital São Bernardo, em Setúbal, e numa clínica privada que fica junto à unidade hospitalar.