Manaus | 4 de junho de 2026 | 07:36:34

Anuário revela estupro a cada seis minutos e maioria é de meninas negras

Em 2023, o Brasil registrou um novo recorde de casos de estupro, totalizando 83.988 ocorrências, o que representa um aumento de 6,5% em comparação ao ano anterior. Isso equivale a um estupro a cada seis minutos no país, conforme revelado pelo 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Esse número é o mais alto desde que os registros começaram a ser contabilizados em 2011, marcando um aumento de 91,5% ao longo da série histórica.

Do total de casos, 76% são classificados como estupro de vulnerável, envolvendo vítimas menores de 14 anos ou incapazes de consentir devido a deficiência ou doença.

As maiores vítimas do crime no país são meninas negras de até 13 anos. Veja o perfil das vítimas:

  • 88,2% são do sexo feminino
  • 61,6% tem até 13 anos
  • 52,2% são negras
  • 76% eram vulneráveis

Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressalta que a maioria dos casos de estupro ocorre dentro de residências, representando 61,7% dos registros. Em seguida, a via pública figura com 12,9%. Entre as vítimas com até 13 anos, 64% dos agressores são familiares e 22,4% são conhecidos.

Ela destaca ainda que todas as formas de violência contra a mulher apresentaram aumento, sublinhando que a variação é provavelmente subnotificada devido à classificação inadequada de feminicídios por alguns estados.

Além dos estupros, todas as modalidades de violência contra mulheres cresceram:

  • Feminicídio – subiu 0,8%
  • Tentativa de feminicídio – subiu 7,1%
  • Agressões decorrentes de violência doméstica – subiu 9,8%
  • Stalking – subiu 34,5%
  • Importunação sexual – subiu 48,7%
  • Tentativas de homicídio – subiu 9,2%
  • Violência psicológica – subiu 33,8%

Das 1.467 vítimas de feminicídio, 63,6% eram negras, 71,1% tinham entre 18 e 44 anos, e 64,3% foram mortas em casa. Destas, o assassino foi o parceiro em 63% dos casos, o ex-parceiro em 21,2% e um familiar em 8,7% dos registros.

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