No mês do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, especialistas alertam para um problema crescente: o vício em telas. O uso excessivo da internet, principalmente em redes sociais, jogos on-line e até em plataformas de Inteligência Artificial (IA), tem levado cada vez mais pessoas – inclusive crianças e adolescentes – aos consultórios de psicologia com sintomas de ansiedade, depressão e baixa autoestima.
De acordo com a pesquisa Consumer Pulse, os brasileiros passam em média mais de 9 horas por dia conectados, sendo pelo menos três horas dedicadas apenas às redes sociais. Nas Clínicas Integradas da Universidade Nilton Lins, em Manaus, os atendimentos de casos relacionados ao vício em telas aumentaram cinco vezes em comparação ao ano passado.
O psicólogo David Martinez, que atende na instituição, explica que embora a internet ofereça inúmeras ferramentas de pesquisa, aprendizado e interação saudável, muitas pessoas acabam transformando as redes em um refúgio para expor emoções em busca de validação.
“O mundo on-line não é a realidade, mas o reflexo do que a pessoa gostaria de ser ou viver. Quando essa expectativa não é atendida, seja por falta de likes ou de seguidores, ou quando há o choque com a vida real – que envolve trabalho, estudo e convivência –, isso pode gerar frustração, ansiedade, depressão e até isolamento social”, afirma Martinez.
Inteligência Artificial também preocupa
Além das redes sociais, outro ponto de atenção é o uso cada vez maior da Inteligência Artificial como substituta das relações pessoais e até mesmo da orientação profissional. Martinez relatou o caso de uma adolescente vítima de bullying que passou a buscar conselhos em uma plataforma de IA.
“O problema é que a IA é programada para agradar e reforçar o ego do usuário. Mas terapia não se faz apenas com respostas agradáveis, e sim com confronto de realidade, questionamentos e construção de caminhos. Isso só acontece na relação humana”, ressaltou.
Quando procurar ajuda
Segundo o psicólogo, é hora de buscar atendimento quando o ambiente on-line começa a interferir na vida cotidiana. Em adolescentes, o impacto aparece principalmente no rendimento escolar, enquanto nos adultos é comum afetar o trabalho, autoestima e relações sociais.
“Quando a pessoa evita sair de casa, perde o convívio social ou demonstra dificuldades em manter relacionamentos, é sinal de alerta”, orienta Martinez.
Atendimento acessível
O atendimento psicológico nas Clínicas Integradas Nilton Lins ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no prédio principal da universidade, no bairro Parque das Laranjeiras. Além de consultas particulares, a instituição atende convênios como Samel, Bradesco e Geap, e também oferece atendimento social com valores acessíveis.
Mais informações e agendamentos podem ser feitos pelo telefone/WhatsApp: (92) 3643-2133.





