Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) promete mudar a rotina de estúdios de tatuagem em todo o país. O órgão proibiu o uso de anestesia geral, sedação e bloqueios anestésicos em procedimentos estéticos como tatuagens, micropigmentação e piercing, medida que já está em vigor e gerou debate entre profissionais da saúde e do setor artístico.
A regra foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 26, por meio da Resolução CFM nº 2.436/2025, e determina que o uso de anestésicos injetáveis para esse tipo de procedimento só é permitido quando há indicação médica como em casos de reconstrução da aréola mamária após tratamento de câncer, por exemplo.
Riscos à saúde motivaram a decisão
De acordo com o CFM, a resolução tem como objetivo principal proteger a vida e a saúde dos pacientes, já que o uso de anestesia fora do ambiente hospitalar ou clínico — como em estúdios de tatuagem — pode representar sérios riscos, incluindo reações adversas, intoxicações e até morte.
O caso do influenciador Ricardo Godoi, que morreu em abril após complicações causadas por anestesia para tatuar o braço, é citado como um exemplo trágico das consequências do uso indevido de sedação em procedimentos estéticos.
“Anestesia não é um recurso simples. Ela exige conhecimento técnico, estrutura adequada e monitoramento constante”, destacou o conselheiro federal Diogo Sampaio, relator da norma. “Nosso dever é zelar pela segurança dos pacientes.”
E as pomadas anestésicas?
Apesar da nova norma, pomadas e cremes anestésicos de uso tópico continuam liberados, desde que aplicados dentro dos limites seguros e com recomendação profissional. O veto se aplica apenas a formas mais complexas de anestesia que envolvem injeção ou sedação intravenosa.
Reações do setor
Profissionais de tatuagem reagiram com preocupação à decisão, alegando que muitos clientes dependem de algum tipo de alívio da dor para concluir procedimentos longos. Alguns tatuadores defendem que, com apoio médico, o uso de anestesia poderia continuar sob supervisão. Já entidades médicas comemoraram a resolução, por considerarem que práticas inseguras estavam se tornando comuns.
O que muda na prática?
Estúdios de tatuagem não poderão aplicar anestesia injetável ou sedar clientes. Apenas médicos poderão administrar anestesia e apenas em casos com indicação clínica, não estética.
Profissionais que desrespeitarem a norma podem responder por exercício ilegal da medicina, além de colocar a vida de clientes em risco.
A recomendação final do CFM é clara: quem deseja se submeter a procedimentos com anestesia deve fazê-lo em ambiente médico, com equipe qualificada e estrutura adequada. Para quem for apenas tatuar, o ideal é conversar com o profissional sobre o uso de anestésicos tópicos e possíveis alternativas para reduzir o desconforto.





