Com a COP30 prevista para ocorrer em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro de 2025, a crescente preocupação sobre os custos de hospedagem coloca em risco a presença de muitas nações em desenvolvimento no evento climático da ONU.
Relatórios apontam que Belém dispõe de apenas cerca de 18 a 20 mil leitos disponíveis, enquanto cerca de 45 mil participantes são esperados. Isso gerou uma alta generalizada nos preços — com cotação de até US$ 700 por noite em alguns hotéis, bem acima do subsídio diário de US$ 149 oferecido pela ONU às delegações mais vulneráveis .
Em resposta a pressões internacionais, incluindo uma carta assinada por 25 países, o Brasil prometeu facilitar hospedagem mais acessível. Foram reservados 2.500 quartos individuais, com tarifas específicas para:
73 países em desenvolvimento e insulares: até US$ 220 por noite, com 15 quartos por delegação;
Demais nações: até US$ 600 por noite, com 10 quartos por delegação .
Além disso, dois navios de cruzeiro (MSC Seaview e Costa Diadema) foram contratados para oferecer cerca de 3.900 cabines, somando até 6 mil leitos adicionais no Terminal Portuário de Outeiro .
Apesar dessas medidas, delegações de países pobres apontam que os valores permanecem acima dos limites aceitáveis e podem inviabilizar sua participação. A ONU convocou reunião emergencial até 11 de agosto e alertou que, caso não haja solução, algumas nações podem diminuir ou desistir da presença na conferência . Países mais ricos também tentam reduzir suas delegações, e empresas privadas já cogitam realizar eventos paralelos em São Paulo ou Rio de Janeiro, dado o impasse .
A escolha de Belém foi simbólica, com o objetivo de destacar a Amazônia e a justiça climática. No entanto, a crise de hospedagem expõe os desafios logísticos de organizar uma conferência dessa magnitude em uma cidade com infraestrutura limitada .





