Previsão é que Mercosul zere tarifas para vinhos europeus em até 12 anos; 91% das tarifas impostas pelo bloco à UE devem ser eliminadas gradualmente.

A conclusão do acordo comercial entre os países do Mercosul e os da União Europeia, anunciado em Bruxelas na semana passada, deve baratear produtos importados do continente para o Brasil.

91% das tarifas impostas pelo Mercosul a produtos europeus devem ser eliminadas gradualmente. Segundo estimativa da Comissão Europeia, isso representa cerca de 4 bilhões de euros.

Queijos e laticínios do velho continente, por exemplo, se beneficiarão de “amplas cotas” com taxa zero, disse o comissário europeu da Agricultura, Phil Hogan, logo após o anúncio.

A previsão já divulgada é que Mercosul irá zerar as tarifas de importação para vinhos europeus em até doze anos.

Como o imposto de importação deste produto chega a 27%, isso deve beneficiar o consumidor final, segundo previsões de Rico Azeredo, um dos idealizadores da ProVino, feira profissional de vinhos e destilados. Ele prevê que alguns importadores terão condições de reduzir em até 30% o valor do item.

“Tudo vai depender da estratégia das importadoras, mas, de uma forma geral, a gente vê uma redução no valor dos vinhos de 10% a 15%. Quem compra volumes altíssimos poderá ganhar na escala e conseguir repassar para o produto uma parcela maior do desconto para o consumidor. Mas isso vai ser um passo mais adiante”, diz.

O movimento não é imediato pois a entrada em vigor do acordo depende de aprovação pelo Parlamento de todos os países dos dois blocos. As previsões oficiais são de que isso pode demorar de dois a cinco anos.

O secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, nota ao Estado que o movimento é antecipado na economia pois as empresas já colocarão “na sua tela de radar” o acordo.

Produto nacional

A entrada de vinhos estrangeiros a preços mais baratos será um desafio para o produtor nacional, mas Azeredo entende que o preço interno também pode ser reduzido por meio de compensações.

“Como parte do acordo, o governo brasileiro irá fornecer alguns tipos de subsídios ao produtos nacional. Isso vai desde a criação de um fundo para arrecadar dinheiro em apoio ao desenvolvimento da indústria de vinicultura, como pode até chegar à redução de impostos. Ainda não está definido o que o governo vai fazer”, afirma.

Fontes do governo ouvidas pelo jornal Estado de S. Paulo confirmam a intenção de criação de fundo para a modernização do setor e até a redução de impostos, classificado por uma delas como “um pacote de produtividade irrecusável”.

Os benefícios estão sendo negociados há algumas semanas pelo governo, segundo a reportagem, por conta da resistência dos produtores brasileiros em relação à liberalização comercial, sob argumento de que os europeus recebem subsídios e têm acesso a financiamentos que os colocam em vantagem.

Fonte: Exame