O parcelamento sem juros, que entrou na mira do Banco Central em uma cruzada para reduzir os juros do cartão de crédito, é não só uma modalidade tipicamente brasileira como também uma espécie de ficção na qual todos resolveram acreditar.
“Não existe almoço grátis. O comércio tem custos com isso e eles estão embutidos no preço”, diz o coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib.
Ainda assim, os especialistas concordam que o “parcelado sem juros” já se tornou peça fundamental tanto na receita do comércio quanto no orçamento dos consumidores, se não na cultura financeira brasileira como um todo, e combate-lo traria consequências piores.
“Se não tiver essa estratégia de parcelamento, não vai ter consumo”, complementa Khatib. “O parcelamento sem juros é usado pelas lojas para impulsionar as vendas e permite que o consumidor, normalmente de baixa renda, adquira as coisas sem comprometer seu orçamento familiar. Extingui-lo afetaria a sustentabilidade de diversos comerciantes pelo país, o que é ruim para a economia como um todo.”






