Nas últimas semanas, o Brasil acompanhou mais um capítulo da longa novela política em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é protagonista. A Polícia Federal concluiu uma série de investigações que resultaram no indiciamento do ex-mandatário, sob acusações que vão desde falsificação de certificados de vacinação até envolvimento em um suposto golpe de Estado. O que está em jogo aqui não é apenas a figura de Bolsonaro, mas o uso das instituições como ferramentas para narrativas políticas.
Os que defendem a narrativa da esquerda comemoram as investigações como uma prova de que a Justiça brasileira é imparcial e rigorosa. No entanto, não podemos ignorar o contexto: desde o fim do governo Bolsonaro, há uma escalada de ações que miram o ex-presidente e seus aliados, muitas vezes com base em interpretações subjetivas ou em relatos que carecem de provas contundentes.
É claro que qualquer denúncia deve ser investigada, mas há uma linha tênue entre a aplicação da lei e a perseguição política. Quando vemos que acusações contra adversários políticos do atual governo não recebem a mesma atenção, a pergunta que fica é: estamos diante de um sistema judicial imparcial ou de uma máquina estatal sendo utilizada para eliminar a oposição?
O indiciamento de Bolsonaro ocorre num momento de polarização extrema no país, em que narrativas têm mais força do que fatos. Chamá-lo de “líder de uma tentativa de golpe de Estado” é conveniente para alimentar um discurso que reforça a fragilidade democrática, mas será que essa narrativa se sustenta com provas irrefutáveis? Ou estamos assistindo a mais um capítulo de uma tentativa de deslegitimar o legado de um líder que, goste-se dele ou não, mobilizou milhões de brasileiros?
Bolsonaro, por sua vez, sempre foi um político controverso, conhecido por suas declarações inflamadas e atitudes polarizadoras. Mas isso justifica uma campanha de indiciamentos que parece mais focada em desmoralizá-lo do que em buscar justiça? Se quisermos fortalecer a democracia, é preciso que as instituições sejam aplicadas de forma equânime, independentemente de quem está no poder ou quem está sendo investigado.
A Justiça deve ser cega, mas não surda às manipulações. O Brasil não pode ser refém de narrativas que transformam processos judiciais em instrumentos de vingança política. Afinal, quando o jogo muda, as mesmas armas que foram usadas contra um lado podem ser usadas contra o outro.
Cabe a nós, enquanto sociedade, reafirmar que a justiça não pode ser usada como ferramenta de revanchismo político. Não é sobre direita ou esquerda, mas sobre garantir que os princípios democráticos sejam preservados. Se permitirmos que narrativas substituam fatos, corremos o risco de comprometer a confiança nas instituições e perpetuar um ciclo de perseguição que enfraquece o Brasil como um todo.










