Manaus | 4 de junho de 2026 | 22:22:36

A indígena Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque e seu impacto além do Bumbódromo

Cunhã-Poranga que representa o item 9 no Bumbódromo. Com uma trajetória de dedicação e paixão, Marciele se destaca como um ícone da cultura amazonense e indígena, celebrando seu oitavo ano nesse papel.

Antes de brilhar como Cunhã-Poranga, Marciele iniciou sua carreira no Corpo de Dança Caprichoso e chegou a ser item substituto de Porta-Estandarte. Sua ascensão é fruto de um talento inegável e de um profundo compromisso com as tradições do boi-bumbá. “Representatividade dentro e fora da arena, e, como torcedora completamente apaixonada, minha ancestralidade, minha alma vibra com o Boi Caprichoso. A responsabilidade gigante de trazer vitória para nosso boi se transforma em força, intensidade e energia para fazer o melhor naquela arena!”, exalta a paraense.

Nascida em Juruti, no Pará, e pertencente ao povo indígena Munduruku, Marciele é uma defensora fervorosa do meio ambiente e das causas indígenas. Aos 30 anos, morando em Manaus há 13, ela é formada em Administração e concentra seus esforços em debates contra a fome, mudanças climáticas e o futuro da Amazônia. Solteira e sem filhos, Marciele utiliza sua visibilidade para promover a sustentabilidade e a preservação cultural.

Com mais de 600 mil seguidores no Instagram, Marciele compartilha sua vida diária, incluindo momentos de conexão com a natureza e os costumes de seu povo. Essa presença online fortalece seu papel como influenciadora e ativista, inspirando seguidores a valorizar e proteger a Amazônia.

Em 2018, Marciele expandiu seu horizonte cultural ao estrear no Carnaval carioca, desfilando na Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola de samba homenageou os bois de Parintins com o enredo “Namastê… a estrela que habita em mim, saúda a que existe em você”, evidenciando a importância da cultura amazônica no cenário nacional.

Além de sua atuação artística, Marciele participa de diversos movimentos ativistas e já levou sua voz às Nações Unidas, defendendo os direitos dos povos indígenas. Socorro Carvalho, conhecida como Socorrinha e estudiosa de boi-bumbá, destaca: “Marciele é originária dos povos indígenas e participa de vários movimentos ativistas defendendo os indígenas. Sua presença na arena e fora dela é um poderoso símbolo de resistência e orgulho cultural.”

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